Washington / Brasília, 02/06/2026 – Os Estados Unidos propuseram a aplicação de um novo tarifaço de 25% sobre mercadorias brasileiras. A medida foi anunciada pelo Escritório de Representante Comercial americano após a conclusão de uma investigação contra o Brasil, respaldada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
O documento preliminar aponta que políticas brasileiras são consideradas “irrazoáveis” por restringirem ou onerarem o comércio norte-americano, focando especialmente em questões de comércio digital, desmatamento ilegal e propriedade intelectual.
As acusações de Washington
A investigação que motivou a tarifa foi iniciada em 15 de julho de 2025, por determinação do presidente dos EUA, Donald Trump. O relatório norte-americano detalha uma série de contestações às políticas do Brasil:
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Comércio Digital e Finanças: O Brasil é acusado de prejudicar a concorrência ao punir plataformas de tecnologia dos EUA que descumprem ordens de remoção de conteúdo. Além disso, o documento alega que o Banco Central brasileiro concede tratamento preferencial ao sistema Pix em detrimento de empresas de cartão de crédito.
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Meio Ambiente: Aponta falhas históricas na fiscalização e no combate ao desmatamento ilegal.
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Acordos e Tarifas: Contesta os acordos comerciais firmados pelo Brasil com o México e a Índia, e critica a falta de reciprocidade tarifária na importação do etanol.
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Propriedade Intelectual: Reclama da lentidão excessiva no exame de patentes industriais dentro do mercado brasileiro.
Bens estratégicos isentos
Apesar da retaliação tarifária de 25%, o governo americano excluiu do novo imposto os bens considerados estratégicos para o abastecimento e funcionamento da sua própria economia. Estão isentos da sobretaxa:
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Produtos agropecuários, como carne bovina, café e frutas tropicais;
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Petróleo, minérios e terras raras;
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Aviões;
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Fertilizantes;
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Produtos farmacêuticos.
Prazos e reações políticas
O anúncio de Washington estipula o prazo legal de 15 de julho para que o Brasil adote medidas corretivas antes da aplicação definitiva das taxas. Além disso, a proposta abre um período de consulta pública a partir de 22 de junho para receber comentários do setor privado.
De acordo com o embaixador e Representante Comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, o governo americano mantém um diálogo intenso com o governo do presidente Lula, mas ainda há divergências substanciais nas questões identificadas durante a investigação.
No Brasil, o Palácio do Planalto já aguardava a divulgação de sanções, mas tinha a expectativa de que a recomendação não trouxesse uma aplicação de taxas tão imediata. Ao Jornal da CBN, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, rebateu a medida, afirmando que a investigação e o consequente tarifaço são ações “mais políticas do que técnicas”.
Fonte: CBN Economia
