Brasília, 19/01/2026 — Morreu neste domingo, aos 73 anos, o ex-ministro Raul Jungmann. Ele estava internado no hospital DF Star, em Brasília, e faleceu em consequência de um câncer no pâncreas.
Ao longo da carreira política, o pernambucano ocupou quatro vezes o cargo de ministro. Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, esteve à frente dos Ministérios do Desenvolvimento Agrário e de Políticas Fundiárias. Ainda na gestão FHC, comandou o Ibama e o Incra.
Já no governo Michel Temer, Jungmann liderou as pastas da Defesa e da Segurança Pública. Foi responsável por coordenar operações baseadas em decretos de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que autorizaram o emprego das Forças Armadas em Estados afetados por crises na segurança pública.
Desde 2022, presidia o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), entidade que representa o setor no país. Em nota, o instituto lamentou a morte do ex-ministro e informou que o velório ocorrerá em cerimônia reservada a familiares e amigos próximos. A organização destacou sua competência, visão estratégica, capacidade de articulação e legado de diálogo e ética.
Apesar da doença, Jungmann se mantinha ativo nas discussões sobre a exploração de minerais críticos no Brasil. No ano passado, durante o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump, reuniu-se com o encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, para tratar do interesse americano em terras raras e minerais críticos brasileiros.
“Eles reafirmaram esse interesse, mostrando realmente que eles estão preocupados e que eles têm interesse. E nós sabemos que eles precisam realmente de terras raras, tá certo? Respondi a eles que como a Constituição brasileira determina que o subsolo e esses minerais são da União, que essa é uma pauta do governo, que estávamos preocupados em estreitar uma pauta e fazer contrapartida com o setor privado e também com o Congresso Americano. Evidentemente pode ser uma carta a mais na manga da negociação para os brasileiros, mas isso depende do que o presidente e o nosso negociador chave proponham”, disse à época.
Repercussão política
Políticos de diferentes espectros lamentaram o falecimento de Jungmann:
- Hugo Motta, presidente da Câmara, afirmou que “ficam as lições sobre diálogo, construção de pontes e respeito institucional”.
- Michel Temer, ex-presidente, disse que o pernambucano foi “um brasileiro que soube servir ao país”.
- Renan Calheiros, senador e ex-presidente do Senado, declarou que o “Brasil perdeu um dos principais pensadores e formuladores da nação”.
- Randolfe Rodrigues, líder do governo no Congresso, classificou Jungmann como “um dos mais capacitados e éticos homens públicos” e ressaltou seu compromisso com o interesse público.
- Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, destacou o papel de Jungmann na criação do Sistema Único de Segurança Pública, classificando-o como “um marco na construção de políticas baseadas em cooperação e coordenação”.
Fonte: CBN
