Seul (COR), 05/05/2026 – No movimentado distrito de Seongbuk-gu, em Seul, uma igreja quebra os padrões tradicionais das celebrações católicas. Na Paróquia de Ephphatha, as missas não são acompanhadas pelo som de órgãos ou corais, mas pelo movimento das mãos e pela expressividade dos rostos. Trata-se da primeira paróquia da Coreia do Sul projetada especificamente para atender à comunidade com deficiência auditiva, onde a Língua de Sinais Coreana (KSL) é o idioma oficial da fé.
O nome da paróquia, “Ephphatha” (Éfeta), remete ao termo aramaico que significa “Abre-te”, utilizado por Jesus ao realizar a cura de um surdo e mudo. A estrutura de cinco andares, inaugurada em 2019, é o resultado de mais de uma década de esforços para garantir que os fiéis surdos pudessem vivenciar a liturgia de forma direta, sem depender apenas de intérpretes ao lado do altar.
O Pioneirismo do Padre Park Min-seo
A figura central deste ministério é o padre Park Min-seo, o primeiro sacerdote católico surdo da história da Coreia do Sul, ordenado em 2007. Como não encontrou seminários adaptados em seu país de origem, Park buscou formação nos Estados Unidos, na Universidade Gallaudet — referência mundial em educação para surdos.
“Na Ephphatha, a deficiência não é uma barreira para a comunicação com Deus, mas uma forma diferente e rica de expressão”, destaca o sacerdote em suas pregações visuais. Sua trajetória transformou a paróquia em um símbolo de resistência e identidade para uma parcela da população que historicamente enfrentou marginalização na sociedade coreana.
Liturgia Visual e Inclusiva
A arquitetura e o rito da paróquia foram pensados para priorizar a visão:
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Iluminação e Visibilidade: O altar possui iluminação especial para que os movimentos das mãos do celebrante sejam visíveis de qualquer ponto da nave.
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Comunicação Direta: Diferente das paróquias comuns que usam intérpretes de apoio, em Ephphatha o próprio padre sinaliza toda a missa, permitindo uma conexão espiritual sem intermediários.
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Música e Oração: O Pai Nosso e os cantos são realizados coletivamente através de gestos rítmicos, criando uma coreografia de fé que preenche o silêncio do ambiente.
Impacto Social e Referência Global
Além das atividades religiosas, a paróquia funciona como um centro de apoio social, oferecendo aconselhamento e programas educativos em língua de sinais. O modelo sul-coreano tem atraído a atenção de outras arquidioceses ao redor do mundo como um exemplo de como a Igreja pode evoluir da simples “acessibilidade” para o protagonismo real das pessoas com deficiência dentro da comunidade.
Fonte: Redação Internacional / Agências Católicas
