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IPCA sobe 0,70% em fevereiro e educação responde por quase metade da inflação do mês

Inflação em 12 meses recua para 3,81% e permanece dentro do intervalo de tolerância da meta

Foto: PMCG

São Paulo (SP) – 12/03/2026 – O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, registrou alta de 0,70% em fevereiro, segundo divulgação desta quinta‑feira (12). Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses ficou em 3,81%, abaixo do índice observado no período imediatamente anterior.

O número de fevereiro veio ligeiramente acima das estimativas do mercado, que projetavam avanço em torno de 0,6% no mês e inflação de aproximadamente 3,77% no acumulado em 12 meses. Mesmo com a aceleração mensal, o IPCA segue dentro do intervalo de tolerância da meta definida para 2026: objetivo central de 3%, com teto de 4,5%. Desde o ano passado, a meta passou a ser contínua, com acompanhamento mês a mês com base na inflação acumulada em 12 meses.

Educação lidera alta e explica grande parte do índice

O grupo Educação foi o principal responsável pelo resultado de fevereiro, com alta de 5,21% e contribuição de 0,31 ponto percentual para o índice do mês. O avanço é típico do início do ano letivo, quando entram em vigor os reajustes de mensalidades e cursos.

Segundo o IBGE, o desempenho do grupo respondeu por cerca de 44% da inflação de fevereiro. Sem o efeito de Educação, o IPCA do mês teria ficado em torno de 0,41%.

Os cursos regulares tiveram aumento médio de 6,20%, com destaque para:

  • Ensino médio: 8,19%
  • Ensino fundamental: 8,11%
  • Pré‑escola: 7,48%

Transportes têm o segundo maior impacto

O grupo Transportes teve alta de 0,74% e impacto de 0,15 ponto percentual, ocupando a segunda posição entre os que mais pressionaram o índice. Um dos principais destaques foi a alta de 11,40% nas passagens aéreas.

Outros itens associados ao uso de veículos também subiram no período, como seguro voluntário e conserto de automóvel, além de reajustes em tarifas de ônibus urbano em diversas capitais.

Mesmo com a alta do grupo, os combustíveis, no geral, tiveram leve queda de 0,47%, puxada pela redução da gasolina e do gás veicular, parcialmente compensadas pela alta do etanol e do óleo diesel.

Alimentos sobem pouco, com altas pontuais

O grupo Alimentação e bebidas subiu 0,26% em fevereiro. A alimentação no domicílio teve alta de 0,23%, influenciada por aumentos em itens como açaí, feijão‑carioca, ovos e carnes. Em contrapartida, houve queda em produtos como frutas, óleo de soja, arroz e café moído.

A alimentação fora do domicílio avançou 0,34%, desacelerando frente ao mês anterior.

Habitação e saúde também pressionam

O grupo Habitação avançou 0,30%, com influência de reajustes em água e esgoto e leve alta na energia elétrica residencial, em um mês com manutenção da bandeira tarifária verde. Já Saúde e cuidados pessoais subiu 0,59%, com altas em itens de higiene pessoal e planos de saúde.

Cenário e juros

Economistas ouvidos pela reportagem avaliam que o resultado trouxe sinais mistos: houve pressão concentrada em itens sazonais e alguns serviços, mas o dado, isoladamente, não altera de forma relevante as projeções para o ano nem a leitura sobre a trajetória de juros, ainda que riscos internacionais — como tensões geopolíticas e energia — possam adicionar incertezas nos próximos meses.


Fonte: g1 / IBGE

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