Teerã (Irã) – 18/02/2026 – Irã, China e Rússia iniciam nesta quarta‑feira (19) um exercício militar conjunto no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. O treinamento ocorre após o fechamento parcial da área desde terça‑feira para atividades militares e integra as ações coordenadas entre os três governos.
A operação foi confirmada ontem pelo governo russo. Segundo Nikolay Patrushev, assessor direto de Vladimir Putin, o exercício faz parte de um plano de segurança marítima desenvolvido conjuntamente por Moscou, Teerã e Pequim.
A agência estatal iraniana Irna afirmou que o objetivo é “combater o unilateralismo” e reforçar a proteção do comércio marítimo na região — área fundamental pela qual transita cerca de 20% de todo o petróleo comercializado globalmente.
Autoridades iranianas não haviam divulgado a data exata, mas uma fonte militar confirmou à agência turca Anadolu que os exercícios começam amanhã.
A Guarda Revolucionária Islâmica já havia iniciado manobras próprias na segunda‑feira (16), que incluíram exercícios de disparo real e ações de controle marítimo. Esta é a sexta vez, desde 2019, que os três países realizam manobras navais conjuntas.
Escalada paralela com os Estados Unidos
O treinamento ocorre paralelamente a uma nova rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã, em Genebra, sobre o programa nuclear iraniano.
Washington mantém dois porta‑aviões na região, aumentando a tensão. Autoridades americanas pressionam Teerã a aceitar limites ao enriquecimento de urânio e ao apoio a grupos armados no Oriente Médio.
Donald Trump declarou recentemente que, sem acordo, “será muito traumático”, acompanhando falas que levantaram receios de confronto militar.
Importância geopolítica do Estreito de Ormuz
A estreita passagem marítima liga grandes produtores de petróleo do Golfo — como Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes e Iraque — ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. Eventos de instabilidade no local historicamente afetam os preços globais de energia.
Novas manobras até o fim do mês
Segundo o g1, a China participará de outras etapas do exercício até o fim de fevereiro, dentro do programa anual “Cinturão de Segurança Marítima”, que intensifica a cooperação entre os três países desde 2019.
Com isso, o Oriente Médio volta a ser epicentro de demonstrações militares envolvendo grandes potências, em um momento marcado por disputas geopolíticas, negociações sensíveis e forte presença de forças norte‑americanas.
Fonte: UOL / g1
