Tóquio, Japão (30/06/2026) – Os planos de milhares de estrangeiros que vivem e trabalham no Japão ficaram mais incertos e custosos. Uma nova lei aprovada pelo governo japonês no final de maio endureceu as políticas migratórias do país, ampliando em até dez vezes as taxas para a renovação de vistos e mudança de status de residência. As novas regras entrarão em vigor até o fim de março de 2027.
Apesar de enfrentar um declínio populacional acelerado e depender fortemente da força de trabalho estrangeira para manter a economia e os serviços básicos funcionando, o Japão decidiu adotar uma postura muito mais rígida em relação à imigração.
Aumento drástico nas taxas
As alterações financeiras impactam diretamente o planejamento dos imigrantes:
-
Renovação ou alteração de visto: A taxa máxima saltará de 10 mil ienes (cerca de R$ 320) para até 100 mil ienes (R$ 3.200).
-
Residência permanente: O custo para solicitar o status passará de 10 mil ienes para 300 mil ienes (R$ 9.600). Além do alto valor, os candidatos precisam comprovar uma renda anual superior a 3 milhões de ienes (R$ 95,9 mil).
Novas exigências e cenário político
Sob a gestão da primeira-ministra Sanae Takaichi, um pacote de medidas mais severas foi aprovado em janeiro. Entre as novas exigências, o tempo mínimo de residência contínua para solicitar a naturalização subiu para dez anos. Também passou a ser obrigatória a comprovação de proficiência em língua japonesa para a obtenção da residência permanente.
O endurecimento das regras ocorre em um momento de crescimento do debate interno sobre a imigração. Pesquisas recentes apontam que uma parcela crescente da população japonesa (37%) vê com preocupação a expansão de estrangeiros nas ambientes de trabalho e nas comunidades, impulsionando a pauta de partidos de ultradireita no parlamento, como o Sanseito.
Contraste demográfico e dependência
A rigidez do governo contrasta fortemente com a realidade demográfica. Em abril de 2025, a população japonesa caiu para 119,7 milhões, uma redução de 941 mil pessoas em apenas um ano. Em contrapartida, o país registrou a marca de 4,12 milhões de residentes estrangeiros no mesmo período, um crescimento que já compensa cerca de 40% da perda populacional do país.
Especialistas em imigração, como o professor Toshihiro Menju, alertam que a escassez de profissionais — de operários de fábrica a cuidadores de idosos — não poderá ser suprida apenas com automação ou maior participação feminina, tornando os trabalhadores estrangeiros indispensáveis para a sociedade japonesa.
Fonte: Em Tempo / Folha de S. Paulo
