O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (19), durante sabatina no SBT, que nunca pediu favores aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) indicados por ele. A declaração ocorreu em meio à crise institucional envolvendo a Corte e às discussões sobre mudanças no funcionamento do Poder Judiciário.
“Nunca pedi um favor a um ministro da Suprema Corte. Nunca pedi e não vou pedir porque, quando eu indico uma pessoa ao cargo, é para ele cumprir o que está na Constituição e não para atender os interesses do presidente da República”, declarou.
Dos 11 integrantes atuais do STF, quatro foram indicados por Lula ao longo de seus mandatos: Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Flávio Dino.
Lula comenta rejeição de Jorge Messias
Na entrevista, o presidente também falou sobre a rejeição, pelo Senado, da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no STF. Em abril, o plenário rejeitou o nome por 42 votos contrários e 34 favoráveis. Foi a primeira vez em 132 anos que o Senado recusou uma indicação presidencial ao Supremo.
Lula negou ter sofrido desgaste político com o resultado e atribuiu a responsabilidade pela decisão aos senadores que votaram contra o indicado.
“Não tive desgaste nenhum com a indicação do Messias, quem teve desgaste foi quem não aprovou, não fui eu. Eu indiquei um nome que, juridicamente, tem toda a competência para ser ministro da Suprema Corte”, afirmou.
O presidente também voltou a defender uma reforma do Judiciário. Entre as propostas mencionadas estão a participação de representantes da sociedade civil na escolha de magistrados, por meio de um conselho, e a adoção de mandatos para integrantes da magistratura.
Lula fala em crise no STF e resultado eleitoral
Durante a sabatina, Lula abordou os efeitos políticos da crise envolvendo o Supremo. Nos bastidores, segundo relato publicado pela imprensa, o presidente avalia que o resultado do primeiro turno foi afetado pelo desgaste da Corte após a divulgação de relações entre ministros e o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.
Essa avaliação é atribuída ao presidente e não constitui, por si só, comprovação de que a crise tenha determinado o resultado eleitoral.
No primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. Os dois disputam o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Lula reconheceu que esperava vencer ainda na primeira votação e disse ter ficado frustrado com o resultado.
“Eu confesso que eu achei que a gente podia ganhar as eleições no primeiro turno, tal era a performance das coisas que a gente tinha realizado no governo”, afirmou.
Apesar disso, declarou estar confiante na vitória no segundo turno. “Estou convencido que no dia 25 vamos ganhar as eleições”, disse, ao mencionar também as manifestações de rua convocadas por apoiadores.
Campanha busca recuperar votos
Lula afirmou que sua campanha trabalha para recuperar votos em estados do Nordeste e do Sul. Também mencionou a possibilidade de ampliar o desempenho em Minas Gerais e reduzir a diferença em São Paulo.
“Podemos ganhar as eleições em Minas Gerais e podemos diminuir a diferença em São Paulo e, se isso acontecer, nós ganharemos as eleições, como ganhamos as outras”, declarou.
Após o primeiro turno, a campanha petista promoveu mudanças na estratégia de comunicação e ampliou a participação de aliados nas decisões. Entre os nomes incorporados à articulação estão o senador Camilo Santana (PT-CE), o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e o senador Rui Costa (PT-BA), ex-governador da Bahia.
Segundo Lula, a campanha também está concentrada em recuperar votos perdidos em estados onde o desempenho ficou abaixo do esperado. O presidente afirmou que está mais tranquilo com a disputa em dois turnos, mas reforçou a confiança na vitória no próximo domingo (25).
