Manaus (AM), 06/05/2026 – O Boletim Epidemiológico de 2026 aponta um cenário crítico para a saúde pública em Manaus: 351 crianças menores de um ano foram diagnosticadas com sífilis congênita ao longo de 2025. A tendência de alerta permanece no início de 2026, com 66 novos casos confirmados nos primeiros meses.
Os dados, divulgados pelo Comitê Municipal de Prevenção da Transmissão Vertical da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), destacam falhas graves na assistência às gestantes. De acordo com a enfermeira Ylara Enmily Costa, presidente do comitê, 90,5% das mães dos bebês notificados em 2025 não receberam o tratamento adequado ou sequer o iniciaram.
Diagnóstico Tardio e Barreiras no Pré-Natal
A investigação da Semsa indica que o principal entrave é o tempo de detecção. Em 55,5% das ocorrências, a infecção só foi identificada no momento do parto ou durante procedimentos de curetagem. Para evitar a transmissão ao feto, o diagnóstico deveria ocorrer preferencialmente no primeiro trimestre da gravidez.
Entre os fatores que contribuem para a persistência da doença na capital amazonense, o comitê destaca:
-
Vulnerabilidades Sociais: Dificuldade de acesso e comparecimento às consultas.
-
Reinfecção: Parceiros que se recusam a realizar o tratamento, contaminando novamente a gestante.
-
Falhas na Rede: Problemas no acompanhamento laboratorial e na comunicação entre as unidades de saúde e as maternidades.
Riscos e Prevenção
A sífilis não tratada durante a gestação pode causar abortos, mortes neonatais e sequelas irreversíveis na criança, como cegueira, surdez e deficiências intelectuais.
Nos últimos cinco anos, Manaus notificou mais de 11 mil gestantes com a doença. Apenas em 2025, houve um aumento de 30% nas notificações em comparação ao ano anterior. A Semsa reforça que todas as unidades de Atenção Primária da cidade oferecem testes rápidos e tratamento gratuito, orientando que a gestante realize o exame em pelo menos quatro momentos distintos da gravidez e no parto.
Fonte: EM TEMPO / Semsa
