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Medir melhor para decidir melhor: o novo papel do RH nas empresas

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Estreia no Portal Eixo Norte e Portal Castello a coluna “RH Inteligente” para conversar com um público que vive a realidade concreta da gestão: empresários e profissionais de RH que precisam fechar folha, lidar com metas, reduzir custos e desperdícios, e manter equipes produzindo bem em um ambiente cada vez mais exigente. Dentro desse contexto, há pouco espaço para modismos na gestão de pessoas, discursos superficiais sobre bem-estar ou soluções pré-fabricadas oferecidas sem um embasamento técnico adequado. Esse é um ponto crucial, pois muitas empresas se tornam vulneráveis ao adotarem ferramentas, consultorias ou metodologias que parecem inovadoras, mas são implementadas sem um verdadeiro entendimento sobre o que estão avaliando, como realizam essas medições, qual é a realidade da empresa e quais riscos isso pode acarretar.

O objetivo desta coluna é simples e direto. É importante demonstrar como a medição do comportamento humano nas empresas, utilizando métodos baseados em ciência e tecnologia confiável, pode aumentar a produtividade, diminuir a rotatividade de funcionários, evitar passivos trabalhistas, promover a saúde mental no ambiente de trabalho e aumentar os ganhos reputacionais da empresa. Tratar as pessoas com cuidado não se resume apenas a uma pauta ética, embora essa também seja uma parte importante. É uma questão de gerenciamento. As organizações que têm uma compreensão mais profunda de seu clima interno, dos riscos psicossociais que enfrentam, dos padrões de liderança que seguem, dos fatores que promovem o engajamento e dos sinais de desgaste são capazes de tomar decisões mais eficazes, resolver problemas com maior antecedência e criar ambientes mais estáveis, atraentes e sustentáveis.

Medir o comportamento humano não é algo que se possa fazer de forma improvisada. Utilizar um questionário qualquer, importar um teste sem critérios adequados ou recorrer a plataformas que nem mesmo o fornecedor conhece bem pode resultar em diagnósticos pouco confiáveis, interpretações erradas, problemas legais e uma perda de confiança por parte dos colaboradores. Quando se trata de medidas que envolvem pessoas, é preciso ter seriedade. É imprescindível que esses instrumentos tenham fundamentação teórica solida, sejam elaborados seguindo uma metodologia apropriada, além de passarem por estudos de validade, confiabilidade e possuírem normas técnicas. É necessária uma leitura responsável dos dados. É necessário que a tecnologia garanta o tratamento seguro e rastreável dessas informações, sempre em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados, a LGPD.

A psicometria, portanto, se torna um tema crucial nesta coluna. Embora o conceito ainda não seja amplamente reconhecido fora de círculos especializados, sua influência é evidente no dia a dia das empresas. Psicometria é a disciplina que investiga como desenvolver ferramentas de mensuração para traços humanos e como, de forma técnica, validar o funcionamento dessas ferramentas. Ou seja, é ela que diferencia um simples formulário de opinião de uma ferramenta séria para medir clima, engajamento, valores, riscos psicossociais, competências comportamentais, saúde mental no trabalho e outros elementos estratégicos da vida organizacional.

A coluna será de responsabilidade de José Humberto da Silva Filho, que é psicólogo, neuropsicólogo, doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo, professor da Universidade Federal do Amazonas desde 1997, atualmente aposentado, e tem uma carreira reconhecida em Psicometria e Avaliação Psicológica com vários artigos científicos e livros publicados. Há 40 anos ele participou da formação de psicólogos e da coordenação de laboratórios de pesquisa, sobretudo o de avaliação psicológica na UFAM nos últimos 20 anos, além de ter participado em projetos de construção, validação e aplicação de instrumentos psicológicos em diversos contextos, tudo isso durante estas décadas de docência e pesquisa na área.

Atualmente, lidera a Neuron Health Tech, que se dedica a criar soluções tecnológicas para a avaliação do comportamento humano em ambientes organizacionais.

A coluna “RH Inteligente” nasce dessa vivência para traduzir assuntos técnicos em uma linguagem acessível, mas sem abrir mão da precisão. O objetivo não é fazer com que o leitor se torne um especialista, mas sim capacitá-lo a fazer escolhas com mais confiança. Entre outros assuntos, a coluna vai tratar, nas próximas semanas, como identificar riscos psicossociais, como elaborar uma pesquisa de clima que realmente ajude, como usar “pulses” como ler os sinais de comportamento sem invadir a privacidade do funcionário, como utilizar dados para prevenir doenças e como conciliar tecnologia e gestão de pessoas sem perder a ética.

O compromisso editorial desta coluna é mostrar que os dados, quando bem utilizados, iluminam mais os problemas, as equipes que precisam de atenção, as práticas que estão funcionando e os riscos que ainda são invisíveis ou negligenciados. Isso se refere à prevenção de burnout, assédio, conflitos, faltas, queda de desempenho e produtividade e desgaste da cultura organizacional. Isto também ajuda a fortalecer a reputação da empresa no mercado, atrair novos talentos, reter profissionais essenciais e mostrar uma governança e compliance maduros para clientes, investidores, reguladores e a sociedade como um todo.

Nesta época em que saúde mental, produtividade e responsabilidade institucional não são mais tópicos distintos, esta coluna surge com um propósito claro: uma boa empresa não é aquela que discute mais sobre as pessoas, mas sim aquela que avalia, compreende e toma decisões com mais eficiência. Aqui, toda semana, vamos abordar isso com uma perspectiva científica aplicada, uma leitura prática do mundo dos negócios e um foco especial nos desafios que a Amazônia e o Polo Industrial de Manaus enfrentam.

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