O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria financiado uma rede internacional de prostituição e participado do recrutamento e da seleção de mulheres estrangeiras, incluindo refugiadas, segundo reportagem publicada pelo portal UOL nesta terça-feira (13). Mensagens obtidas pelo site indicariam a atuação de Vorcaro no negócio, que envolvia intermediários, uma agência de modelos e uma casa noturna em São Paulo.
De acordo com a reportagem, as conversas mencionam mulheres russas, ucranianas, venezuelanas, argentinas e polonesas. Os diálogos também sugerem que Vorcaro não apenas utilizava os serviços, mas discutia a contratação das mulheres, dava orientações e investia na estrutura da operação.

Foto: Reprodução/uol
A Polícia Federal abriu um inquérito em maio para apurar a participação de garotas de programa estrangeiras e possíveis irregularidades relacionadas à contratação dos serviços. As informações citadas na reportagem ainda são objeto de apuração.
No Brasil, a prostituição exercida voluntariamente por adultos não é crime. Já práticas como exploração sexual, favorecimento da prostituição e manutenção de estabelecimentos voltados à exploração sexual podem configurar crimes, conforme as circunstâncias.
Mensagens mencionam refugiadas ucranianas
Segundo o UOL, as conversas entre Vorcaro e o promotor de eventos Diogo Batista incluem referências ofensivas às mulheres, chamadas de “escravas” e “kengas”. Em uma das mensagens, Vorcaro teria usado o termo “creche” para se referir às mulheres mais jovens.
A reportagem também descreve conversas sobre uma refugiada ucraniana de 19 anos que chegou ao grupo em outubro de 2023, após ser levada a uma festa de Halloween. No mês seguinte, Vorcaro teria informado que não pagaria mais hospedagem ou passagens de quem decidisse permanecer no Brasil.
Em mensagens posteriores, Diogo relatou que a jovem não poderia voltar à Ucrânia e mencionou os bombardeios no país. Ainda de acordo com o material publicado pelo UOL, os dois discutiram a possibilidade de incluir mulheres estrangeiras em uma agência própria e avaliar quem permaneceria no grupo.
A jovem teria sido incluída entre as mulheres apresentadas como “figurantes” em um jantar de Vorcaro com convidados, em março de 2024, no Pappa Bar, localizado nos Jardins, em São Paulo. No mês seguinte, as mensagens indicariam uma discussão sobre a permanência de mulheres russas e ucranianas na estrutura.
Contrato previa investimento de R$ 1,5 milhão
A reportagem afirma que, em dezembro de 2023, Vorcaro recebeu um contrato para adquirir 50% de participação na Allure Eventos, agência de modelos ligada ao esquema investigado. O documento previa pagamento de R$ 1,5 milhão e identificava Felipe Nisti Cataldo como proprietário da empresa.
Em janeiro de 2024, Diogo Batista teria informado que o contrato estava assinado. Segundo os registros mencionados pelo UOL, a primeira parcela, de R$ 500 mil, foi paga dias depois. Outras duas parcelas do mesmo valor teriam sido cobradas entre fevereiro e maio daquele ano.
Um comprovante citado pela reportagem indicaria que o pagamento final foi feito por Pix pela Super Empreendimentos, empresa apontada como utilizada por Vorcaro, para Nisti.
As mensagens e os documentos descritos pelo UOL integram as informações que motivaram a apuração jornalística. A investigação da Polícia Federal deverá esclarecer a eventual responsabilidade dos envolvidos e se houve prática de crimes.
