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Monóxido de carbono atinge níveis altíssimos devido às queimadas no Brasil; gás está cobrindo o sul da Amazônia

Conforme especialistas, o monóxido de carbono afeta a capacidade da atmosfera de “se limpar” de outros poluentes.

Foto: Divulgação/SES-AM

Nas últimas semanas, diversas regiões do Brasil têm enfrentado uma crescente ameaça ambiental e de saúde pública: o aumento expressivo de monóxido de carbono (CO) na atmosfera. Segundo a MetSul Meteorologia, os níveis do gás atingiram patamares alarmantes, especialmente em áreas como o sul da Amazônia, Centro-Oeste, Rondônia, Sul do país e São Paulo. O fenômeno está diretamente ligado às queimadas que devastam essas regiões, um problema recorrente, especialmente durante a estação seca, mas que neste ano parece ter assumido proporções ainda mais preocupantes.

O monóxido de carbono é um gás incolor e inodoro, tornando-se perigoso por sua capacidade de passar despercebido. Em ambientes fechados, a exposição prolongada pode ser fatal. Ele é classificado como um dos seis principais poluentes atmosféricos, o que significa que a sua presença em altos níveis compromete a qualidade do ar e a saúde humana.

A origem desse gás está na queima incompleta de combustíveis à base de carbono, como madeira, carvão e óleo, sendo as queimadas florestais uma das principais fontes dessa poluição no Brasil. As queimadas, além de destruírem a biodiversidade e contribuírem para o desmatamento, emitem grandes quantidades de poluentes, como o CO, que, por sua vez, são carregados pelos ventos e espalhados pela baixa atmosfera (troposfera). Embora o monóxido de carbono não tenha impacto direto no aumento da temperatura global, como o dióxido de carbono (CO₂) ou o metano, ele desempenha um papel crucial na química atmosférica.

De acordo com especialistas, o monóxido de carbono afeta a capacidade da atmosfera de “se limpar” de outros poluentes, agravando a poluição urbana. Quando em contato com outros gases e em presença da luz solar, o CO contribui para a formação do ozônio troposférico, ou “ozônio ruim”, que é prejudicial à saúde. A poluição por ozônio, especialmente em áreas urbanas, é um dos principais componentes do smog, que pode causar sérios problemas respiratórios.

Além disso, o monóxido de carbono não age sozinho no ar poluído. Ele está frequentemente acompanhado por partículas finas, conhecidas como PM2.5, outro subproduto das queimadas. Essas partículas são extremamente prejudiciais à saúde, pois possuem grande potencial inflamatório no corpo, principalmente nos pulmões. A inalação dessas partículas e do CO reduz significativamente o suprimento de oxigênio no sangue, o que pode levar a dores de cabeça, fadiga, e agravar condições cardíacas, como a angina. Nos pulmões, os efeitos são igualmente preocupantes, exacerbando doenças preexistentes, como asma, e causando irritação respiratória e falta de ar.

Para a população que vive nas áreas mais atingidas, os riscos à saúde são elevados. Autoridades de saúde pública recomendam a adoção de medidas preventivas, como evitar atividades físicas ao ar livre em dias de alta concentração de fumaça e poluentes e o uso de máscaras específicas para a filtragem de partículas. No entanto, a solução para o problema a longo prazo passa pelo combate eficaz às queimadas ilegais e à promoção de políticas ambientais mais rígidas.

A situação atual das queimadas e o aumento da poluição atmosférica revelam a complexa relação entre os problemas ambientais e de saúde no Brasil. A degradação do meio ambiente, aliada à ausência de medidas efetivas de controle, não só prejudica a fauna e flora, como também coloca em risco a vida de milhões de brasileiros expostos a níveis insalubres de poluentes no ar que respiram. Combater essa realidade é uma necessidade urgente, que exige a mobilização de esforços em várias frentes, desde políticas públicas até a conscientização da sociedade.

*Fonte: AM POST

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