Brasília (DF) – A cantora Cássia Eller, uma das vozes mais marcantes da música brasileira, ganha nova biografia escrita pelo jornalista Tom Cardoso. O livro Eu queria ser Cássia Eller (HarperCollins, 312 páginas) reúne depoimentos de familiares, amigos e parceiros de trabalho para reconstruir a trajetória da artista desde a infância no subúrbio carioca até o estrelato nacional. A obra também apresenta uma versão inédita sobre sua morte precoce em 29 de dezembro de 2001, aos 39 anos.
Vida e embates pessoais
Segundo Cardoso, Cássia viveu intensos conflitos com o pai militar, Altair Eller, especialmente em relação à sua sexualidade. Esses episódios marcaram sua juventude e, sem intenção explícita, a cantora acabou se tornando símbolo de debates sobre relacionamentos homoafetivos no início dos anos 2000.
A mudança para Brasília, aos 18 anos, foi decisiva. A capital vivia efervescência cultural nos anos 1980, o que impulsionou sua formação artística e pessoal. Foi ali que conheceu Maria Eugênia Vieira Martins, com quem viveu por oito anos e criou o filho Francisco Eller (Chicão). Após a morte da cantora, Maria Eugênia enfrentou batalha judicial pela guarda do menino, contestada pelo avô paterno.
Legado e representatividade
Para o autor, Cássia se tornou uma figura significativa na luta pela inclusão e pelo reconhecimento de famílias homoafetivas, mesmo sem levantar bandeiras políticas. Sua postura espontânea e autêntica abriu espaço para discussões que permanecem atuais.
A morte e novas interpretações
A biografia revisita o fatídico dia em que Cássia sofreu uma parada cardíaca. Cardoso refuta a versão de overdose, apontando que a artista foi vítima de estresse emocional intenso em meio ao sucesso do álbum Acústico MTV. Segundo relatos, ela teria sofrido uma crise nervosa e, ao ser atendida em clínica, recebeu medicação inadequada que provocou reação adversa.
O autor defende que a tragédia foi resultado de uma soma de fatores, incluindo uso eventual de drogas, pressão da carreira e falhas médicas, mas não uma overdose isolada. Poucos dias antes, Cássia planejava um período sabático para descansar e se afastar da rotina exaustiva.
Importância da obra
Além de resgatar a trajetória da cantora, o livro reforça seu papel como artista que, sem militância formal, ajudou a abrir caminhos para debates sobre diversidade e inclusão. Para Cardoso, revisitar a história de Cássia é também refletir sobre o Brasil contemporâneo e os desafios sociais ainda presentes.
Preço de capa: R$ 69,90 (edição impressa); versão digital disponível por valores menores.
Fonte: Correio Braziliense
