O exame avaliado é a PET/CT com PSMA — tomografia por emissão de pósitrons associada à tomografia computadorizada — capaz de identificar células prostáticas mais agressivas. A técnica utiliza uma molécula que se liga a essas células e as faz aparecer como pontos luminosos nas imagens, permitindo a detecção de tumores clinicamente significativos.
Segundo os pesquisadores, o método pode ser aplicado de forma segura em pacientes que apresentam resultados inconclusivos ou normais na ressonância magnética, situação comum no rastreamento da doença.
Atualmente, homens com suspeita de câncer de próstata costumam realizar uma ressonância magnética para localizar áreas anormais na glândula. Quando o exame é suspeito ou não conclusivo, a indicação é a biópsia — um procedimento invasivo, que envolve a retirada de fragmentos do tecido prostático e pode causar dor, ansiedade e efeitos colaterais.
Estudo avaliou pacientes de alto risco
Para o ensaio clínico, os pesquisadores recrutaram homens com maior risco de câncer de próstata, como aqueles com histórico familiar da doença, mas que apresentavam ressonância magnética normal. Os participantes foram divididos em dois grupos: um submetido à biópsia tradicional e outro ao exame PET/CT com PSMA.
Os resultados mostraram que o exame foi capaz de identificar pacientes que não tinham câncer ou cujo tumor apresentava crescimento tão lento que dificilmente causaria danos. Esses pacientes puderam evitar a biópsia. Com isso, o número de procedimentos invasivos foi reduzido pela metade sem comprometer a detecção de cânceres clinicamente relevantes.
Nos casos em que a biópsia ainda foi necessária, o PET/CT ajudou a direcionar melhor o local da coleta, aumentando a precisão e reduzindo complicações.
Para Derya Tilki, urologista e membro do conselho científico do congresso da EAU, os resultados são relevantes. Segundo ela, a estratégia não comprometeu a identificação de tumores significativos e reforça a possibilidade de incorporar o exame à investigação diagnóstica em pacientes selecionados.
Especialistas destacam avanço no diagnóstico
No Brasil, especialistas veem a tecnologia como um avanço importante. Para Marcelo Uchôa, coordenador da oncologia do Hospital Anchieta Ceilândia, o PET/CT com PSMA já é amplamente utilizado para detectar recidivas da doença e estadiar casos mais avançados.
“Agora, pesquisas avaliam o uso em fases mais precoces do diagnóstico. O mais importante é que esses avanços permitem tratamentos cada vez mais personalizados, oferecendo a cada paciente a abordagem mais adequada”, afirmou.
Já o uro-oncologista Carlos Watanabe, do Hospital Santa Lúcia Sul, em Brasília, destacou que o estudo aponta um caminho promissor para evitar biópsias desnecessárias em casos duvidosos, especialmente em pacientes de alto risco. Segundo ele, a biópsia continuará sendo necessária em muitos casos, mas o exame amplia o leque de ferramentas disponíveis na prática clínica.
Pesquisa segue em acompanhamento
O estudo PRIMARY2 continuará acompanhando 660 pacientes por mais dois anos. A pesquisa foi conduzida em centros de saúde de toda a Austrália, sob liderança do Peter MacCallum Cancer Center, em Melbourne, e do St Vincent’s Hospital, em Sydney.
Os pesquisadores ressaltam que o uso da PET/CT com PSMA vem crescendo, especialmente em casos de câncer de próstata de alto risco ou recorrente, embora custo e disponibilidade ainda limitem o acesso mais amplo à tecnologia.
Segundo o oncologista Márcio Almeida, membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), a medicina nuclear tem avançado rapidamente no desenvolvimento de exames baseados em imagem molecular. Esse conceito já é aplicado em tumores neuroendócrinos e em alguns tipos de câncer de mama e pulmão, e tende a se expandir para outras doenças, tanto no diagnóstico quanto no direcionamento de tratamentos personalizados.
Fonte: Correio Braziliense
