Temos aqui um filme muito necessário, que já recebeu vários prêmios pelo mundo, que coloca pessoas em situações extremas para falar sobre a fragilidade humana e escancarar que por mais que a gente saiba da importância da empatia, esse sentimento é seletivo.
A Síria é um país Árabe que vive em estado de emergência desde 1962, mas foi em 2011 que o país entrou em uma guerra civil. Quando opositores ao regime de Bashar al-Assad pegaram em armas para lutar contra o governo.
A história do filme começa em 2014 quando uma médica tem a sua casa atingida por um bombardeio e perde boa parte da sua família. O fato a leva a tomar uma decisão drástica, fugir para a Europa com a filha. Evento que serve como um catalisador para a história de outras 4 pessoas.
O filme é dividido em 5 capítulos, cada um sobre um personagem diferente tentando sobreviver ou ajudar outras pessoas a sobreviverem. Os destinos desses 5 personagens se cruzam revelando um mundo caótico e violento.
Depois da médica, somos apresentados a um soldado que luta pelo governo da Síria, mas começa a contestar atitudes tomadas pelo exército de Bashar al-Assad. Um traficante de pessoas turco que quer dar uma vida melhor para o seu filho e se aproveita do desespero de refugiados que tentam cruzar o Mar Mediterrâneo.
Um poeta que tenta fugir da guerra com a sua mulher, duas crianças e um bebê de colo. E por último um grego, capitão de um barco que resgata refugiados no mar. Um homem atormentado pelos horrores que presencia. Mas questionado por seus próprios amigos, que se incomodam com a entrada daquele grande número de refugiados na Grécia.
Aliás a gente sabe que no mundo inteiro muita gente se incomoda com a presença de refugiados de guerra e imigrantes em seus países. Como eu já disse, a nossa empatia é pelo menos um pouco seletiva, mas a de certas pessoas é bastante seletiva.
O Caso dos Estrangeiros, que chega aos cinemas em 26 de fevereiro é um filme extremamente atual, necessário e incômodo.
