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Paradoxo brasileiro: mercado editorial cresce apesar da queda no número de leitores

Setor vende 60,3 milhões de exemplares e fatura R$ 3,1 bilhões em 2025, mesmo com retração no público leitor

Foto: Eduardo Knapp / Folhapress

São Paulo – 06/02/2026 – O mercado editorial brasileiro vive um paradoxo: mesmo com a queda no número de leitores, o setor registrou crescimento em vendas e faturamento em 2025. Foram 60,3 milhões de exemplares comercializados, alta de 7,7% em relação ao ano anterior, e receita de R$ 3,099 bilhões, avanço de 8,7% sobre 2024. Os dados são do Painel de Varejo de Livros no Brasil, elaborado pela NielsenIQ BookData para o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel).

A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, mostra que o público leitor vem diminuindo desde 2015. Em 2024, 93,4 milhões de brasileiros declararam ter lido ao menos um livro nos três meses anteriores ao levantamento. Em 2015, eram 104,7 milhões, queda de 10,8%. A redução também é proporcional: em 2015, 56% da população acima de 5 anos lia; em 2024, apenas 46%.

Para sustentar o crescimento em um mercado menor, editoras e livrarias apostaram em descontos agressivos. Em 2024, o desconto médio foi de 22,5%, e em 2025 subiu para 23,9%. Caso os livros fossem vendidos pelo preço cheio, o setor teria movimentado R$ 4 bilhões. Para Dante Cid, presidente do Snel, as editoras não aproveitaram o cenário favorável para reduzir a dependência de promoções.

Num país de hábitos de leitura fragilizados, a economia pesa. Cid acredita que a inflação sob controle — o IPCA acumulado em 2025 foi de 4,26% — pode ajudar a manter o consumo. “As pessoas focam em gastos essenciais e o livro é um dos primeiros cortes”, disse.

Bibliodiversidade

Outro desafio apontado por Cid é a bibliodiversidade. Em 2025, o número de ISBNs diferentes comercializados caiu 17,7%, reflexo da concentração em produtos de alto giro, como os livros de colorir. Para ele, 2026 terá fenômeno semelhante com a Copa do Mundo. Sem os livros de colorir, o mercado ainda teria crescido: 1,9% em volume e 5,1% em receita.

A pesquisa Retratos da Leitura mostra que o incentivo à leitura vem de fatores culturais e sociais. Entre crianças e adolescentes, a escola e os professores são apontados como principais influências, seguidos pela mãe e, em faixas mais velhas, pelos amigos.

Em entrevista à Agência DC News, Alexandre Martins Fontes, presidente da Associação Nacional de Livrarias (ANL), defendeu o fortalecimento do ecossistema livreiro. “Precisamos de mais livrarias, mais pontos de venda e mais diversidade. Concorrência saudável fortalece o setor e ajuda a formar novos leitores”, afirmou.

Fonte: Agência DC News / acritica.com

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