Manaus (AM) – 13/03/2026 – O aumento expressivo no preço das passagens aéreas entre Manaus e Parintins voltou a gerar críticas e debates com a proximidade do Festival de Parintins de 2026. Levantamentos recentes indicam que bilhetes da companhia aérea Azul para o trecho durante o período do evento estão sendo comercializados por valores superiores a R$ 9.500.
O valor é considerado elevado para um voo de pouco mais de uma hora e reforça uma reclamação recorrente de moradores da região e de turistas que desejam participar da festa folclórica, uma das maiores manifestações culturais do país.
O Festival de Parintins é realizado tradicionalmente no fim de junho e atrai milhares de visitantes ao município do interior do Amazonas, impulsionando a economia local, mas também pressionando a oferta de transporte aéreo.

Alta pode ultrapassar 1.500% no período do evento
Dados apresentados em debates sobre aviação regional mostram que o aumento das tarifas ocorre de forma recorrente todos os anos durante o período do festival. Fora da alta temporada, as passagens entre Manaus e Parintins costumam variar entre R$ 300 e R$ 600. No entanto, durante o evento, os valores podem ultrapassar R$ 5 mil e, em alguns casos, se aproximar de R$ 10 mil.
A variação representa um aumento superior a 1.500% em relação ao preço médio praticado fora do período festivo.
A situação foi debatida em março de 2025 durante um encontro sobre aviação regional promovido pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), em Brasília. Na ocasião, o então ministro do Turismo, Celso Sabino, foi questionado sobre a elevação das tarifas, mas afirmou não acreditar que as companhias aéreas aumentem os preços apenas para ampliar lucros durante o festival.
Governo afirma que setor opera com liberdade tarifária
Após questionamentos formais, o Ministério de Portos e Aeroportos informou que o setor aéreo brasileiro opera sob o regime de liberdade tarifária, conforme previsto na Lei nº 11.182/2005. A legislação garante às companhias aéreas autonomia para definir os preços das passagens de acordo com as condições de mercado.
Segundo resposta oficial ao Requerimento de Informação nº 1248/2025, o poder público não possui prerrogativa direta para intervir nos valores cobrados pelas empresas. A posição foi interpretada por críticos como ausência de medidas efetivas para enfrentar o problema.
Incentivos fiscais não reduzem preços
O debate ganha ainda mais destaque pelo fato de companhias aéreas que operam no Amazonas receberem incentivos fiscais, como a redução do ICMS sobre o querosene de aviação, medida adotada para estimular rotas regionais e reduzir o custo das passagens.
Mesmo com esse benefício, os valores cobrados durante o Festival de Parintins permanecem elevados. Passageiros também relatam cancelamentos e alterações frequentes de voos no período do evento.
Dados mostram cancelamentos e atrasos
Informações operacionais citadas pelo próprio governo federal indicam que o aeroporto de Parintins registrou intensa movimentação durante o festival de 2024. Entre os dias 24 e 30 de junho, foram contabilizados 209 voos.
Nesse intervalo, ocorreram ao menos 10 cancelamentos, além de diversos atrasos considerados relevantes, o que evidencia a pressão sobre a infraestrutura e a logística aérea da região durante o evento.
Questionamentos são enviados à ANAC
Diante da continuidade do problema, novos questionamentos foram encaminhados pelo deputado federal Amom Mandel (Cidadania-AM) à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). O objetivo é obter esclarecimentos sobre a formação das tarifas na rota Manaus–Parintins e avaliar o nível de concorrência no trecho.
Entre os dados solicitados estão informações sobre a operação da rota nos últimos cinco anos, incluindo número de companhias atuantes, oferta de voos, quantidade de assentos disponíveis, evolução das tarifas e possíveis fatores estruturais que expliquem a baixa concorrência.
Festival movimenta economia e turismo
Além da importância cultural, o Festival de Parintins movimenta milhões de reais na economia local, impulsionando setores como turismo, hotelaria, comércio e transporte. Diante desse impacto, o debate sobre o custo das passagens aéreas volta a ganhar força a cada edição do evento.
Fonte: AM POST
