São Paulo – 02/03/2026 – Os preços do petróleo e do gás dispararam e as principais Bolsas do mundo operavam em queda nesta segunda‑feira (2), após a escalada do conflito no Oriente Médio, desencadeada por ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e pela resposta de Teerã.
Segundo a agência France Presse, o setor mais afetado nos mercados acionários foi o de aviação e turismo, com quedas expressivas nas ações das companhias, reflexo direto da alta do petróleo e do aumento dos custos operacionais.
Em meio ao conflito, os preços do petróleo chegaram a subir 13%, ultrapassando US$ 82 por barril, o maior valor desde janeiro de 2025. Na abertura dos mercados, o barril do Brent avançou quase 14%, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) subiu cerca de 12%. Por volta das 10h18 (horário de Brasília), o Brent subia 8,30%, cotado a US$ 78,92, e o WTI ganhava 7,74%, negociado a US$ 72,19.
Antes mesmo da escalada militar, o petróleo já vinha em trajetória de alta por causa das tensões políticas na região e encerrou a semana anterior em torno de US$ 72.
Gás dispara na Europa
A guerra também elevou de forma acentuada os preços do gás natural na Europa. O contrato do TTF (Title Transfer Facility), principal referência do mercado europeu, subia mais de 41% por volta das 10h28 (horário de Brasília), cotado a 45,3 euros.
O temor dos investidores é de que o conflito comprometa as exportações de gás natural liquefeito (GNL) da região do Golfo, especialmente do Catar, um dos maiores fornecedores globais.
Bolsas em queda
Na Ásia, a maioria dos mercados acionários fechou em queda, refletindo a preocupação dos investidores com a ampliação do conflito no Oriente Médio. Tóquio caiu 1,4% e Hong Kong recuou 2,1%, enquanto Xangai foi exceção e encerrou o pregão em leve alta.
Na Europa, as Bolsas abriram em forte queda. Paris recuava 1,96%, Frankfurt caía 1,99%, Milão perdia 2,13%, Londres cedia 0,55% e Madri registrava queda de 2,58%, segundo a AFP.
As empresas aéreas foram as mais penalizadas, já que a alta do petróleo encarece o combustível de aviação. Em contraste, companhias de energia registraram valorização, uma vez que preços mais elevados do petróleo e do gás tendem a aumentar suas margens de lucro.
Produção interrompida em vários países
De acordo com a Reuters, o Catar suspendeu a produção de gás natural liquefeito após uma instalação da QatarEnergy ser atingida por drones iranianos.
A Arábia Saudita também decidiu fechar, por precaução, sua maior refinaria doméstica, localizada em Ras Tanura, com capacidade de 550 mil barris por dia.
No Curdistão iraquiano, a maior parte da produção de petróleo foi interrompida. Empresas como DNO, Gulf Keystone Petroleum, Dana Gas e HKN Energy paralisaram suas operações de forma preventiva, embora não tenham sido relatados danos diretos às instalações. Em fevereiro, a região exportava cerca de 200 mil barris por dia por meio de um oleoduto até o porto turco de Ceyhan.
Em Israel, o governo determinou que a Chevron suspendesse temporariamente as operações no campo de gás Leviatã, um dos maiores do país e estratégico para exportações ao Egito. A empresa também opera o campo de Tamar, enquanto a Energean desligou sua plataforma que atendia campos menores, segundo a Reuters.
No Irã, explosões foram registradas na ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo do país. Ainda não há informações precisas sobre o impacto nas instalações, de acordo com a Reuters.
O Irã é o terceiro maior produtor da Opep, respondendo por cerca de 4,5% do fornecimento global de petróleo. A produção iraniana é estimada em 3,3 milhões de barris por dia, além de 1,3 milhão de barris de condensados e outros líquidos.
Estreito de Ormuz e risco de nova disparada
Segundo a Reuters, o conflito praticamente paralisou a navegação pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo.
Após ataques a navios na região do Golfo, a Organização Marítima Internacional recomendou que empresas evitassem a área. O preço dos seguros marítimos disparou, e grandes companhias confirmaram a suspensão de rotas pelo estreito, informou a France Presse.
Embora países importadores mantenham estoques estratégicos — membros da OCDE são obrigados a manter reservas equivalentes a 90 dias de consumo — analistas não descartam que o barril ultrapasse os US$ 100.
“Se houver uma interrupção prolongada no fornecimento por Ormuz, o petróleo pode subir rapidamente para US$ 100 por barril, especialmente se ocorrerem ataques a instalações da região”, afirmou o Eurasia Group à AFP. A última vez que o petróleo superou esse patamar foi no início da guerra da Ucrânia, quando a alta da energia contribuiu para um ciclo prolongado de inflação.
Em resposta ao conflito, Arábia Saudita, Rússia e outros seis integrantes da Opep+ decidiram aumentar a produção em 206 mil barris por dia a partir de abril, volume acima do inicialmente previsto, segundo a France Presse.
Ouro e dólar sobem
O encarecimento da energia pode pressionar ainda mais a inflação global e prejudicar a atividade econômica.
“A geopolítica e a situação envolvendo Irã, Estados Unidos e o Oriente Médio devem dominar os mercados financeiros nesta segunda‑feira”, afirmou Kathleen Brooks, da corretora XTB, à AFP.
O ouro, considerado ativo de proteção em períodos de instabilidade, subiu 2%, enquanto o dólar também se valorizou. Segundo Brooks, com o envio de tropas, aviões e navios de guerra dos Estados Unidos para a região nas últimas semanas, os metais preciosos já vinham se recuperando: o ouro subiu 3,3% e a prata, 10,8% na semana anterior.
Fonte: g1 / AFP / Reuters
