Portal Castello
Cidade

Rio Negro ultrapassa cota de inundação e coloca Manaus em estado de alerta

Manancial atingiu a marca de 27,52 metros nesta quinta-feira; Serviço Geológico do Brasil aponta 92% de probabilidade de o nível permanecer acima do limite crítico nas próximas semanas

Foto: Mara Magalhães/Portal Em Tempo

Manaus (AM), 21/05/2026 – O Rio Negro ultrapassou oficialmente a cota de inundação na capital amazonense, atingindo a marca de 27,52 metros na manhã desta quinta-feira (21). O nível atual supera em dois centímetros o limite crítico estabelecido para transbordamento, que é de 27,50 metros, colocando as autoridades municipais e o sistema de Defesa Civil em estado de alerta máximo para o início do período de cheia.

Ritmo de Subida e Áreas de Risco

De acordo com os monitoramentos conjuntos realizados pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) e pelo Porto de Manaus, as águas do Rio Negro registraram uma elevação de quatro centímetros apenas nas últimas 24 horas — na quarta-feira (20), a régua marcava 27,48 metros.

Com a invasão das águas, os distritos e bairros localizados na orla baixa da capital já começam a registrar os primeiros impactos da subida. Regiões historicamente vulneráveis às cheias sazonais, como Educandos (zona Sul), São Raimundo e Glória (zona Oeste), entraram em estágio de atenção preventiva. O cronograma operacional do município prevê o avanço de transtornos urbanos nas próximas semanas, o que deve exigir a construção emergencial de pontes e passarelas de madeira provisórias, além da possibilidade de remoção de famílias residentes em áreas de igarapés afetadas pela vazão.

Projeções e Situação no Interior

A coordenação técnica do SGB informou que o movimento de elevação do Rio Negro faz parte do ciclo hidrológico natural do ecossistema amazônico. Modelos de previsão climática indicam que o rio deve atingir o seu ponto máximo (reiquia da cheia) entre os meses de junho e julho deste ano, com média estimada em 28,30 metros. Há margem estatística para que o pico oscile entre a mínima de 27,55 metros e a máxima severa de 29,07 metros. Os especialistas apontam que a probabilidade de o manancial se manter acima da cota de inundação durante este bimestre é de 92%.

A dinâmica de cheias afeta simultaneamente outras calhas de rios monitorados na região da Amazônia Ocidental:

  • Rio Solimões (Manacapuru): Também rompeu a cota de inundação ao atingir 18,32 metros (o limite técnico é de 18,20 metros);

  • Rio Amazonas (Itacoatiara): Registrou 13,41 metros nesta manhã, aproximando-se da cota de alerta fixada em 13,50 metros;

  • Rio Madeira (Porto Velho): Apresenta comportamento inverso, marcando 12,90 metros com tendência de vazante para as próximas semanas.

O avanço contínuo do chamado “pulso de cheia”, alimentado pelo volume regular de precipitações nas cabeceiras dos rios, deve manter o cenário de monitoramento intensificado pelas agências de gestão de risco até o final do primeiro semestre.

Fonte: Serviço Geológico do Brasil (SGB) / Em Tempo

Relacionados

Trabalhador é agredido por ‘piratas dos rios’ durante ataque no Rio Solimões, em Jutaí

Redação

INSS começa a analisar pedidos de pensão para órfãos de vítimas de feminicídio

Redação

Passageiros enfrentam longa espera após cancelamento de voo da Latam entre Curitiba e Congonhas

Redação

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Entendemos que você está de acordo com isso, mas você pode cancelar, se desejar. Aceitar Leia mais