O procurador do município de Manaus, Thiago Calandrini, foi chamado de “mentiroso” por uma moradora nesta quarta-feira (28), durante uma entrevista coletiva no bairro Santa Etelvina, zona Norte da capital. O episódio ocorreu durante uma operação de reintegração de posse em um terreno ocupado por famílias.
Durante o confronto, a mulher afirmou possuir uma decisão judicial favorável às pessoas que vivem na área e questionou a atuação das autoridades. Calandrini contestou a declaração e afirmou que a decisão mencionada seria contrária à permanência dos ocupantes. O procurador também declarou que outras tentativas de retomada do terreno já haviam sido realizadas.
A discussão foi registrada em vídeo e circulou nas redes sociais. As imagens mostram o confronto verbal entre a moradora e o representante do município, que apresentam versões diferentes sobre o conteúdo da decisão judicial relacionada à área.
Terreno era ocupado por cerca de 50 famílias
A operação ocorreu em um terreno municipal de aproximadamente 21 mil metros quadrados, localizado na avenida 7 de Maio. Segundo as informações fornecidas sobre o caso, cerca de 50 famílias ocupavam o local desde janeiro. A área é destinada a um empreendimento habitacional vinculado ao programa Minha Casa, Minha Vida.
Até o fechamento desta matéria, não havia confirmação do número do processo nem acesso à íntegra da decisão mencionada pela moradora. Também há divergência nos relatos sobre a existência de uma ordem judicial específica para a operação. Calandrini afirmou que a retomada não dependeria de decisão judicial, enquanto relatos divulgados por veículos locais mencionaram uma determinação da Justiça.
MP-AM investiga a operação
O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) instaurou um inquérito civil para apurar as circunstâncias da operação, incluindo a existência de mandado judicial, a solicitação de apoio policial e o uso da força.
O órgão também recomendou a interrupção imediata de medidas coercitivas, demolições e atos de reintegração na área.
A Defensoria Pública do Amazonas informou que não foi comunicada previamente sobre a desocupação e apontou a ausência de uma solução adequada de realocação para as famílias.
