Seis anos depois da compra de respiradores que marcou sua gestão durante a pandemia de Covid-19, Wilson Lima decidiu falar publicamente sobre o episódio. Em vídeo divulgado durante a campanha ao Senado, o ex-governador contestou a versão de que os equipamentos foram comprados em uma loja de vinhos e classificou essa narrativa como “fake news”.
Segundo Lima, a compra não foi feita em uma loja de bebidas, mas de uma empresa importadora que utilizava o nome fantasia Vineria Adega. Ele afirmou que a empresa tinha autorização para importar diferentes tipos de produtos, incluindo equipamentos médicos e hospitalares.
“A verdade é essa, o Estado comprou respiradores de uma importadora aqui do Amazonas, que tinha autorização para trazer para o Brasil vários produtos, de artigos esportivos a bebidas, passando inclusive por equipamentos médicos e hospitalares”, afirmou.
O candidato também reconheceu que demorou para responder publicamente às acusações. Segundo ele, foi um erro não ter utilizado as redes sociais para apresentar sua versão quando o caso começou a circular, em 2020.
“Errei ao não ter dedicado tempo nas redes sociais para me defender quando essa fake news começou a circular lá em 2020”, disse.
Por que o caso ficou conhecido como “compra em loja de vinho”?
A expressão surgiu porque a empresa FJAP, responsável pela venda dos equipamentos ao governo, utilizava o nome fantasia Vineria Adega e mantinha uma loja de vinhos conhecida em Manaus.
Wilson Lima afirma que essa associação não representa a atividade da empresa responsável pela negociação dos respiradores. Segundo ele, documentos da Receita Federal mostram que a companhia não era classificada apenas como uma loja de vinhos.
O episódio, no entanto, foi alvo de investigações e também chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Compra de 28 respiradores foi investigada
Em abril de 2020, o Governo do Amazonas comprou 28 respiradores por aproximadamente R$ 2,98 milhões. De acordo com documentos analisados pela CPI da Assembleia Legislativa do Amazonas, uma proposta anterior apresentada pela empresa Sonoar pelos mesmos equipamentos era de cerca de R$ 2,48 milhões.
A compra foi investigada pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e pela CPI da Assembleia Legislativa.
Em 2021, a Corte Especial do STJ recebeu uma denúncia contra Wilson Lima e outras pessoas envolvidas na negociação. Segundo o Ministério Público Federal, a operação teria causado prejuízo superior a R$ 2 milhões aos cofres públicos.
Lima foi denunciado por crimes como dispensa irregular de licitação, fraude em procedimento licitatório, peculato, liderança de organização criminosa e embaraço às investigações. O recebimento da denúncia tornou o então governador réu no processo. As acusações fazem parte da ação penal e não representam uma condenação.
Em 2025, o STJ rejeitou uma denúncia diferente contra Wilson Lima, relacionada ao transporte aéreo dos respiradores. Na decisão, a Corte entendeu que não havia comprovação do dolo necessário para caracterizar o crime de peculato. O caso, porém, era separado da ação penal que trata da compra dos equipamentos em 2020.
Outro ponto questionado durante a investigação foi a adequação dos equipamentos. Segundo informações apresentadas no processo, havia indicação de que os respiradores adquiridos não seriam adequados para atender pacientes em estado grave de Covid-19.
A investigação também apontou que a FJAP teria comprado os equipamentos da Sonoar por aproximadamente R$ 2,48 milhões e revendido os aparelhos ao governo estadual, no mesmo dia, por cerca de R$ 2,98 milhões.
Wilson Lima diz que decisão ocorreu em meio à falta de equipamentos
No vídeo divulgado durante a campanha, Wilson Lima defende que a compra precisa ser analisada levando em consideração o cenário vivido no Amazonas no início da pandemia.
O ex-governador afirma que havia falta de respiradores, leitos e outros equipamentos médicos e que o mercado internacional enfrentava escassez desses produtos.
“Hoje é fácil olhar para a pandemia e apontar erros. Mas no primeiro momento, os equipamentos médicos sumiram do mercado”, afirmou.
Lima também questionou a versão de que os equipamentos teriam sido comprados diretamente em um estabelecimento de venda de vinhos.
“Vocês acham que se a equipe da saúde tivesse comprado respirador em balcão de loja de vinho, eu teria ido receber os equipamentos no aeroporto?”, questionou.
Segundo o candidato, a prioridade naquele momento era ampliar a estrutura de atendimento e salvar vidas diante do avanço da Covid-19 no Amazonas.
Caso volta a ser citado na campanha
A compra dos respiradores voltou a ser mencionada por Wilson Lima durante a campanha eleitoral de 2026. No vídeo, o candidato afirma que seus adversários usam o episódio para atacá-lo e contesta a associação entre a empresa responsável pela negociação e uma loja de vinhos.
Lima encerra a gravação defendendo que a compra precisa ser analisada dentro do cenário enfrentado pelo Amazonas no início da pandemia e desafia quem o critica a contestar os argumentos apresentados por ele.
O vídeo marca a primeira manifestação pública de Wilson Lima sobre o episódio em seis anos e coloca novamente a compra dos respiradores no debate eleitoral do Amazonas.
