Um serviço criado para bloquear ligações indesejadas virou motivo de disputa entre operadoras de telefonia. A ferramenta Vivo Anti-spam, ativada automaticamente em novas linhas da operadora, é defendida pela empresa como uma forma de impedir chamadas fraudulentas, mas outras empresas afirmam que o sistema também estaria bloqueando ligações legítimas.
Segundo a Vivo, o serviço identifica e bloqueia chamadas em massa e suspeitas antes que elas cheguem aos clientes. A operadora afirma que a ferramenta foi criada para combater ligações automáticas e o uso de números falsos para ocultar a origem das chamadas.
No entanto, ao menos sete empresas de telefonia questionaram o funcionamento do sistema junto à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). As companhias alegam que chamadas de serviços de saúde, órgãos públicos e outros atendimentos foram interrompidas pelo bloqueio.
A Anatel informou que analisa os casos e busca uma solução que preserve a proteção dos consumidores sem impedir ligações consideradas legítimas.
Entre as reclamações apresentadas, empresas afirmam que milhares de chamadas foram bloqueadas pelo sistema. Uma delas relatou que ligações destinadas a hospitais e órgãos públicos teriam sido afetadas. Outra apontou que números utilizados pela Prefeitura de Araçatuba, incluindo serviços de saúde, segurança e educação, chegaram a ser bloqueados.
A Vivo afirmou à Anatel que o sistema passa por critérios de análise antes de bloquear uma chamada e que apenas empresas que realizam ligações em massa sem identificação são afetadas. A operadora também informou que clientes podem solicitar análise de números bloqueados ou desativar o serviço pelo aplicativo.
O debate agora está sob avaliação da Anatel, que busca definir medidas para evitar bloqueios indevidos sem comprometer o combate às chamadas fraudulentas.
