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Alta dos combustíveis provoca embate político e governo acusa distribuidoras de prática abusiva no Amazonas

Reajuste da gasolina em Manaus leva a fiscalizações, troca de acusações e debate sobre privatização da refinaria

Foto: ATUAL

Manaus – 18/03/2026 – A alta no preço dos combustíveis voltou ao centro do debate político no Amazonas e no país, com acusações de especulação por parte de distribuidoras, críticas aos impactos da privatização da refinaria da região e ações de fiscalização para apurar possíveis abusos contra os consumidores.

Em Manaus, o preço da gasolina subiu de R$ 6,99 para R$ 7,29 entre os dias 7 e 8 de março, o que levou o Procon Amazonas a intensificar fiscalizações em postos de combustíveis para verificar se os reajustes têm justificativa ou se configuram prática abusiva.

Nesta terça-feira (17), em entrevista ao programa Bom Dia Ministro, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que o aumento registrado nos postos não se justifica pelos custos praticados nas refinarias e classificou a conduta de distribuidoras como “sacanagem” e “safadeza”.

“O presidente Lula abriu mão de R$ 30 bilhões de arrecadação ao retirar PIS/Cofins dos combustíveis para evitar aumento na bomba. Conseguiu segurar o reajuste na refinaria, mas nos postos o preço está subindo. Isso é ganância de especuladores”, afirmou Boulos.

Segundo o ministro, mesmo sem aumento no custo da refinaria, distribuidoras estariam repassando preços mais altos ao consumidor final.

“Eles não estão pagando um centavo a mais na refinaria, mas estão transferindo esse custo para o consumidor pela especulação e pela ganância. Agora vai apertar a fiscalização, com Polícia Federal e Procons em todo o Brasil”, disse.

Na última quinta-feira (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um pacote de medidas para conter o preço do diesel, incluindo a isenção de PIS/Cofins na importação e comercialização do combustível, além de ações de monitoramento para coibir práticas abusivas. O governo também atribuiu parte da pressão aos preços ao cenário internacional, marcado por conflitos no Oriente Médio, que impactam o valor do petróleo.

Versão da oposição

No Amazonas, o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL) apresentou uma leitura diferente. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ele afirmou que a alta dos combustíveis é consequência direta do cenário internacional e defendeu a redução de impostos como principal solução.

“O mundo vive uma guerra no Irã, o que impacta transporte, logística e produção de combustível. Isso faz os preços subirem. A solução é reduzir impostos”, afirmou.

O parlamentar destacou ainda que o combustível no Amazonas está entre os mais caros do país e que a carga tributária, que pode chegar a 30% ou 35%, impacta diretamente o custo de vida e a cadeia de alimentos.

Privatização da refinaria

O presidente do Sindipetro-AM, Marcus Ribeiro, criticou a posição do deputado e relacionou a alta dos preços à privatização da Refinaria da Amazônia (Ream), antiga Reman, vendida ao Grupo Atem em 2022.

Segundo ele, a privatização criou um monopólio privado na região e contribuiu para o aumento dos combustíveis no estado.

“O Sindipetro avisou que a privatização criaria um monopólio e que o preço iria explodir. Hoje a gasolina já chegou a R$ 7,30 em Manaus. A conta chegou”, afirmou.

Ribeiro também defendeu maior fiscalização sobre a atuação da refinaria e cobrou a retomada do refino pela Petrobras no Amazonas.

“Por que não trabalhar para que a Petrobras retome o refino no Amazonas? É muito fácil incendiar a casa e depois culpar o bombeiro”, declarou.

Fonte: ATUAL

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