O policial militar e ex-candidato a deputado estadual Kidson Maia (PL) se manifestou na quarta-feira (14) após a deputada estadual e candidata a vice-governadora Alessandra Campêlo (PSD) denunciá-lo por uma suposta ameaça de morte. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, ele negou ter intimidado a parlamentar e apresentou outra interpretação para o gesto relatado por ela.
Maia afirmou que estava com o celular na mão quando fez o movimento e disse que a intenção era transmitir uma mensagem ao grupo político adversário. Segundo ele, a expressão usada foi “Acabou pra vocês”, em referência à disputa eleitoral, e não uma ameaça dirigida especificamente à deputada.
A manifestação ocorreu depois que Campêlo levou o caso à tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). A parlamentar relatou que o episódio aconteceu nos bastidores de um debate eleitoral e informou ter registrado um Boletim de Ocorrência na Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM). Ela também acionou o Ministério Público Estadual (MPE) e o Ministério Público Federal (MPF).
Policial contesta interpretação do gesto
No vídeo publicado nas redes sociais, Kidson Maia chamou de mentira a acusação de que teria feito um gesto ameaçador contra uma mulher. Ele demonstrou o movimento que afirma ter realizado e insistiu que a mensagem era destinada aos adversários políticos.
“Estão me acusando de ter feito um gesto ameaçador para uma mulher. Isso é mentira. Como vocês podem ver, eu tô com o celular na mão. Eu aponto no celular e eu faço o gesto aqui, ó. Acabou pra vocês. Eu não ameacei ninguém e também não direcionei pra uma pessoa específica. Eu disse, acabou pra vocês. Pro grupo dos nossos adversários políticos. E você, Alessandra Campelo, está mentindo. E todo mundo sabe o motivo do teu espetáculo. Vocês estão desesperados”, declarou.
O policial relacionou a controvérsia à disputa eleitoral entre o grupo político de Omar Aziz e Alessandra Campêlo (PSD) e a candidata Maria do Carmo (PL). A versão apresentada por ele diverge do relato feito pela deputada sobre o contexto e o significado do movimento.
Deputada relata gesto de degola
Ao falar na Aleam, Alessandra Campêlo afirmou que Maia teria feito três vezes um gesto semelhante ao de cortar o próprio pescoço, olhando diretamente para ela. A parlamentar disse que não interpretou a atitude como brincadeira ou simples provocação política.
“Não existe brincadeira”, declarou. Em seguida, relatou o impacto que o episódio teve sobre ela: “Eu me senti ameaçada naquele momento, porque se ele faz isso no meio de tantas pessoas, com toda a imprensa presente, imagine o que ele pode fazer depois?”
Campêlo também afirmou que tentou intervir com a ajuda de seu advogado. Segundo a deputada, o vereador Sargento Salazar (PL), eleito deputado federal, presenciou a cena e riu.
Caso repercute entre deputados
A denúncia provocou manifestações na Assembleia Legislativa. O presidente da Casa, deputado Adjuto Afonso, divulgou uma nota de repúdio e afirmou ser “inadmissível qualquer atitude que possa intimidar, constranger ou colocar em risco a integridade de uma mulher”.
Durante a sessão, outros parlamentares demonstraram apoio a Campêlo e defenderam a apuração do episódio. Entre as manifestações, houve cobranças por providências institucionais e referências à possibilidade de violência política de gênero. Alguns deputados classificaram o gesto relatado como ameaça velada, enquanto outros defenderam que os mecanismos legais da Assembleia fossem acionados.
Investigação deve esclarecer o episódio
O registro da ocorrência na DECCM e o acionamento dos Ministérios Públicos levaram o caso às autoridades competentes. A apuração deverá considerar os relatos apresentados e as imagens disponíveis do debate e dos bastidores, que poderão ajudar a esclarecer as circunstâncias do episódio.
Até o momento descrito nas manifestações, Alessandra Campêlo afirma ter se sentido ameaçada, enquanto Kidson Maia nega a acusação e sustenta que o gesto teve conotação eleitoral. O significado e o contexto da ação ainda precisam ser avaliados pelas autoridades responsáveis.
