O pedido de cassação do vereador Rosinaldo Bual (Agir) continua sem desfecho na Câmara Municipal de Manaus (CMM). A representação foi apresentada pelo Comitê Amazonas de Combate à Corrupção (CACC) em outubro de 2025, após a prisão do parlamentar na investigação que apura um suposto esquema de “rachadinha” no gabinete.
Em junho de 2026, o CACC voltou a cobrar informações sobre o andamento do procedimento e pediu acesso integral ao processo. Na ocasião, a entidade afirmou que não havia informações claras sobre a tramitação da representação dentro da Câmara.
MPAM passou a apurar a tramitação
O caso também chegou ao Ministério Público do Amazonas (MPAM). Em junho, a 79ª Promotoria de Justiça Especializada na Proteção e Defesa do Patrimônio Público instaurou o Procedimento Preparatório nº 06.2026.00000457-2 para apurar a possível omissão na condução do processo de cassação.
A investigação foi aberta a partir de uma Notícia de Fato apresentada pelo CACC, que questionou a paralisação do procedimento dentro da CMM.
Em setembro, o comitê voltou ao MPAM para questionar a tramitação do pedido e também apresentou novos questionamentos sobre pagamentos feitos a Bual. Segundo dados citados pela entidade, o vereador recebeu cerca de R$ 130 mil entre março e julho de 2026, período em que foram registradas 50 ausências em sessões ordinárias. Os fatos foram levados aos órgãos competentes para apuração e não representam, por si só, uma conclusão definitiva de irregularidade.
David Reis pediu retirada de reportagem
Em setembro, o caso também envolveu uma disputa judicial relacionada à cobertura jornalística. O presidente da CMM, David Reis (Avante), recorreu à Justiça Eleitoral para tentar retirar do ar uma reportagem publicada pelo Diário da Capital sobre os pagamentos feitos a Bual durante o período das 50 faltas.
O pedido foi negado pela Justiça em 23 de setembro. Segundo a publicação, David Reis alegou que a reportagem era falsa, caluniosa e difamatória. A decisão, porém, indeferiu o pedido de retirada do conteúdo.
O que falta acontecer
Apesar das cobranças e da abertura do procedimento no MPAM, não há, até o momento, registro público de uma decisão da CMM que tenha levado o pedido de cassação a uma conclusão.
O vereador continua listado oficialmente pela Câmara como integrante da 19ª Legislatura. Em agosto, Bual também passou a registrar presença nas sessões de forma virtual, após autorização para exercer as atividades parlamentares remotamente, enquanto permanecem restrições ao acesso presencial à Casa.
O caso, portanto, permanece em acompanhamento tanto dentro da Câmara quanto no Ministério Público, enquanto os questionamentos apresentados pelo CACC aguardam análise dos órgãos responsáveis.
