Na política, o palanque de hoje nem sempre é o mesmo de amanhã. Os interesses mudam, os cálculos eleitorais são refeitos e as alianças que pareciam sólidas podem perder valor quando dois grupos passam a disputar o mesmo espaço. No Amazonas, a relação entre Omar Aziz (PSD) e David Almeida (Avante) expõe exatamente esse movimento.
Os dois estiveram juntos na eleição municipal de 2024, quando Omar apoiou a reeleição de David à Prefeitura de Manaus. Depois da vitória, a aliança continuou sendo apresentada como um projeto para 2026.
Em 2025, David chegou a declarar apoio à candidatura de Omar ao Governo do Amazonas. O acordo político chegou a avançar para a composição da própria chapa: Fernanda Aryel Almeida, filha de David, foi cotada para ser vice de Omar.
A possibilidade não era apenas uma demonstração de proximidade. Uma vice representa espaço político, influência e participação direta em um eventual governo. Enquanto os interesses dos dois grupos podiam ser acomodados na mesma chapa, a aliança fazia sentido para ambos.
Mas havia uma disputa que colocava esse entendimento à prova: quem seria o candidato ao Governo?
David inicialmente dizia que não disputaria o cargo e que apoiaria Omar. Com o passar dos meses, porém, seu grupo começou a trabalhar pela candidatura própria.
O movimento alterou o cálculo de Omar e David. O que antes era uma relação de apoio passou a envolver concorrência direta.
Em outubro de 2025, quando as especulações sobre o rompimento já circulavam, os dois se reuniram. Na saída, David afirmou: “Somos aliados e permaneceremos aliados.”
A declaração não durou até a definição das candidaturas.
David avançou com seu projeto para o Governo, e a antiga composição perdeu espaço. Fernanda, que havia sido colocada como possível vice de Omar, passou a ser direcionada para uma candidatura à Câmara dos Deputados pelo grupo de David.
É nesse ponto que a política revela seu lado mais pragmático, a mesma aliança que discutia a composição de uma chapa passou a ser reorganizada para enfrentar o antigo aliado.
Mesmo depois da mudança, David evita transformar Omar em inimigo político. Em junho de 2026, afirmou que respeita a candidatura do senador, mas disse preferir que Omar permanecesse em Brasília, onde tem mandato até 2030.
A fala também carrega um cálculo eleitoral. David deixou a Prefeitura de Manaus para disputar o Governo e, se perder, ficará sem mandato. Omar, por outro lado, continua senador caso não seja eleito governador.
O tabuleiro tem mais jogadores
Uma pesquisa divulgada em julho colocou Omar na liderança, com 30% das intenções de voto. David apareceu com 18%, enquanto Roberto Cidade e Maria do Carmo registraram 21% cada.
Em outro levantamento, Omar também ficou em primeiro, com 27%, seguido por Roberto Cidade, com 23,4%, e David, com 17%.
Os números mostram que o rompimento entre Omar e David abriu espaço para uma disputa mais ampla. Roberto Cidade e Maria do Carmo.
