Portal Castello
BrasilSaúde

Fiocruz produzirá medicamento de alto custo contra esclerose múltipla para distribuição no SUS

Fabricação nacional da cladribina oral (Mavenclad) deve reduzir custos de importação e ampliar o acesso à terapia; tratamento custa cerca de R$ 140 mil por paciente

© Marcello Casal JrAgência Brasil

Rio de Janeiro (RJ), 22/05/2026 – A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) assumirá a produção nacional da cladribina oral, um medicamento de alta tecnologia e alto custo utilizado no controle da esclerose múltipla. A iniciativa, viabilizada por meio de um acordo de transferência de tecnologia, visa diminuir a dependência de importações do Ministério da Saúde, reduzir os custos de aquisição e expandir o fornecimento do tratamento na rede do Sistema Único de Saúde (SUS).

Indicação Clínica e Impacto no SUS

Comercializada sob o nome de Mavenclad, a cladribina oral foi oficialmente incorporada à lista de dispensação do SUS no ano de 2023. O foco do medicamento é o atendimento de pacientes diagnosticados com a forma remitente-recorrente altamente ativa da esclerose múltipla — variação da patologia caracterizada por surtos inflamatórios frequentes ou por uma rápida evolução dos danos neurológicos, mesmo em indivíduos que já utilizam as terapias ambulatoriais convencionais.

Atualmente, o impacto financeiro do tratamento chega a aproximadamente R$ 140 mil por paciente ao longo de um ciclo terapêutico de cinco anos. Estimativas epidemiológicas apontam que cerca de 3,2 mil brasileiros convivem diretamente com essa manifestação mais agressiva da doença no país.

Mecanismo e Eficácia Prolongada

A cladribina destaca-se no cenário médico como o primeiro tratamento de administração oral e de curta duração capaz de oferecer eficácia prolongada no bloqueio do avanço da esclerose múltipla remitente-recorrente. Devido ao seu perfil terapêutico inovador, a substância foi incluída na Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Dados científicos recentes apresentados no Congresso do Comitê Europeu para Tratamento e Investigação em Esclerose Múltipla (ECTRIMS) comprovaram uma redução expressiva no ritmo de perda de lesões neuronais após dois anos de acompanhamento dos pacientes. Outros ensaios clínicos indicaram que 81% dos indivíduos tratados conseguiram manter a capacidade de caminhar sem o auxílio de apoios mecânicos, e mais da metade da amostragem pôde suspender o uso de medicações complementares de suporte.

Parceria e Complexo Industrial

O processo de fabricação em solo nacional será centralizado no Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz), em uma cooperação que envolve a empresa farmacêutica alemã Merck e a indústria de insumos químicos-farmacêuticos Nortec Química. De acordo com a diretora de Farmanguinhos, Silvia Santos, este representa o primeiro produto do portfólio da unidade voltado especificamente para o tratamento dessa condição degenerativa.

O presidente da Fiocruz, Mario Moreira, ressaltou que o arranjo produtivo fortalece os laboratórios públicos brasileiros e confere maior sustentabilidade orçamentária às políticas de assistência farmacêutica do governo federal. A cooperação técnica consolida as diretrizes do Complexo Econômico e Industrial da Saúde (CEIS) para a substituição de importações e garantia de soberania sanitária.

Fonte: Agência Brasil / Ministério da Saúde / Fiocruz / Merck

Relacionados

Anvisa autoriza testes em humanos da primeira vacina brasileira contra malária

Araujo

VÍDEO: Homem viaja 2 km para encontrar namorada e descobre que ela é IA

Araujo

VÍDEO: Repórter da Jovem Pan é hostilizado durante ato em São Paulo

Araujo

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Entendemos que você está de acordo com isso, mas você pode cancelar, se desejar. Aceitar Leia mais