A economia brasileira reúne fatores que continuam impactando o orçamento dos consumidores. Mesmo com a desaceleração da inflação em outubro e a redução da taxa básica de juros, a Selic, para 13,75% ao ano, os preços ainda estão elevados e as passagens aéreas permanecem caras para boa parte da população.
A decisão sobre a Selic foi anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) nesta segunda-feira (2). A taxa é um dos principais instrumentos utilizados pelo Banco Central para controlar a inflação e influencia diretamente o custo do crédito, os financiamentos e o consumo.
Inflação desacelera, mas permanece acima da meta
A prévia da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), registrou alta de 0,32% em outubro. O resultado representa uma desaceleração em relação aos 0,70% observados em setembro.
Apesar da redução no ritmo de crescimento dos preços, o índice acumula alta de 4,15% em 2026 e de 4,62% nos últimos 12 meses. O percentual supera o teto de 4,5% estabelecido para a meta de inflação.
O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado financeiro, mas a inflação acumulada ainda exige atenção da política monetária.
Selic em 13,75%: como a taxa afeta o consumidor?
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Quando permanece elevada, o crédito tende a ficar mais caro, o que pode reduzir o consumo e ajudar a controlar a inflação.
Por outro lado, juros altos também encarecem empréstimos, financiamentos e investimentos das empresas. Isso afeta tanto o orçamento das famílias quanto os custos de operação de diferentes setores da economia.
Passagens aéreas continuam pesando no orçamento
Viajar de avião também segue representando um gasto significativo. Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a tarifa média doméstica ficou em R$ 746,62 por trecho em setembro.
O valor representa uma queda de 0,5% em relação ao mesmo mês de 2025, mas uma alta de 1,9% na comparação com setembro de 2024, considerando os valores corrigidos pela inflação.
Com o salário mínimo atual de R$ 1.621, uma passagem pelo preço médio registrado corresponde a aproximadamente 46% do rendimento mensal de um trabalhador que recebe esse valor.
A próxima atualização dos dados tarifários, referente a outubro, está prevista para 23 de novembro.
Por que as passagens continuam caras?
O preço das passagens aéreas depende de diferentes fatores, entre eles o combustível de aviação, a variação do dólar, a manutenção das aeronaves, as tarifas aeroportuárias e os custos de financiamento das companhias.
A Selic elevada também influencia o setor, pois encarece operações de crédito, financiamentos de aeronaves e investimentos das empresas. Esses custos podem refletir na formação dos preços cobrados dos passageiros.
Além disso, a demanda por viagens e a disponibilidade de voos interferem diretamente no valor das tarifas.
O que esperar nos próximos meses?
A desaceleração do IPCA-15 pode favorecer novas reduções da Selic, mas a inflação acima do teto da meta exige cautela nas decisões do Banco Central.
Para os consumidores, a expectativa é de que as passagens aéreas continuem sujeitas a oscilações, conforme os custos operacionais, o câmbio e a procura por voos.
Planejar viagens com antecedência e acompanhar as tarifas pode ajudar a encontrar preços mais acessíveis.
