O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (15) que não sabia que o Bolsa Família estava sem uma correção geral pela inflação desde a retomada do programa, em 2023. A declaração foi dada durante entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, em uma conversa que também abordou o anúncio do reajuste 17 dias antes do primeiro turno das eleições, realizado em 4 de outubro.
Ao ser questionado pela jornalista Renata Lo Prete sobre o motivo de o programa ter sido reajustado apenas naquele momento, Lula afirmou que desconhecia a ausência de correção e classificou a situação como “inexplicável”.
“Eu não sabia porque é inexplicável, Renata, é inexplicável que no governo do Lula alguém pense em não reajustar, sabe? a inflação no salário das pessoas. É impensável. Mas aconteceu. Aconteceu e eu tomei a decisão: a gente vai dar e vai dar tudo que a gente não deu, pra gente não perder nunca mais”, declarou.
Jornalista questionou ausência de reajuste no orçamento de 2027
Durante a entrevista, Renata Lo Prete também perguntou por que a proposta de Orçamento de 2027, enviada pelo governo ao Congresso em 31 de agosto, não previa a correção do Bolsa Família, mesmo tendo sido apresentada cerca de duas semanas antes do anúncio do reajuste.
A jornalista questionou se havia surgido espaço fiscal que a equipe econômica não havia identificado anteriormente.
Lula respondeu que tomou conhecimento da falta de atualização, procurou explicações e decidiu autorizar o aumento após avaliar que havia recursos disponíveis.
“Não, aconteceu que eu fiquei sabendo que não tinha sido aumentado o Bolsa Família, e eu fui perguntar por que não aumentaram o Bolsa Família. Se tem espaço fiscal para aumentar, por que não aumentar? Aí tomei a decisão de mandar dar o Bolsa Família, tomei a decisão de mandar aumentar as pessoas, porque teve espaço fiscal”, afirmou.
O presidente também citou o resultado fiscal do governo e declarou que a proposta orçamentária foi apresentada com previsão de superávit primário de 0,1%.
Benefício passou de R$ 600 para R$ 691
O reajuste foi anunciado em 17 de setembro. A recomposição foi de 15,04%, correspondente à inflação acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026. Com a mudança, o valor mínimo mensal do Bolsa Família passou de R$ 600 para R$ 691.
Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, a medida terá custo estimado de R$ 5,8 bilhões em 2026, a partir da folha de outubro, e de aproximadamente R$ 22 bilhões em 2027.
O anúncio ocorreu 17 dias antes do primeiro turno das eleições. Lula negou que a decisão tenha sido motivada pelo calendário eleitoral.
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu que a atualização não violava as regras eleitorais por se tratar de uma correção dos valores, sem criação de novo benefício ou ampliação do número de beneficiários.
Os pagamentos com os valores atualizados estão previstos na folha de outubro, com início em 19 de outubro.
