O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) são “terroristas para a comunidade brasileira”, ao comentar a classificação das facções como organizações terroristas pelos Estados Unidos. A declaração foi feita durante entrevista à TV Globo na quinta-feira (15).
Lula reconheceu o impacto da atuação dos grupos sobre a população, mas diferenciou essa realidade do conceito de terrorismo que, segundo ele, é adotado pelos americanos. O presidente citou os ataques de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, e ações relacionadas a tentativas de golpe de Estado como exemplos associados à definição americana.
“Quando os Estados Unidos falam em terrorismo, eles falam em terrorismo de Estado, em terrorismo como aqueles que atentaram contra as duas torres americanas, como aqueles que querem dar golpe de Estado. Não é o caso das facções e do crime organizado no Brasil, que só querem dinheiro”, afirmou.
Na sequência, Lula declarou que PCC e Comando Vermelho são terroristas para comunidades, bairros e cidades brasileiras, mas disse que essa situação não corresponde ao tipo de terrorismo que atribui à definição dos Estados Unidos.
Proposta de cooperação com os Estados Unidos
Durante a entrevista, Lula também afirmou que apresentou ao presidente americano, Donald Trump, uma proposta de cooperação para combater o crime organizado e o narcotráfico. Segundo ele, o plano reúne experiências da Polícia Federal brasileira no enfrentamento a esses crimes.
O presidente citou ainda a Lei Antifacção e defendeu a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. A proposta, segundo Lula, busca ampliar a participação da União na área, que hoje tem atribuições distribuídas entre os diferentes níveis de governo.
Ao comentar a iniciativa, Lula afirmou que pretende definir melhor o papel do governo federal no combate ao crime organizado. Ele disse que a prioridade deve ser garantir segurança e proteção à população, além de responsabilizar criminalmente os envolvidos.
A declaração ocorre em meio à discussão sobre os efeitos da classificação americana das facções e sobre os caminhos para ampliar a cooperação internacional e a atuação do poder público contra o crime organizado.
