Brasil, 04/06/2026 – O Sistema Único de Saúde (SUS) começou a implementar neste mês uma importante mudança no Calendário Nacional de Vacinação. A rede pública passa a oferecer a vacina pneumocócica 20-valente (VPC20), que substitui a antiga versão 10-valente, dobrando a cobertura contra os sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, causadora de doenças graves como pneumonia, meningite e infecções invasivas.
O que muda com a nova vacina
A nova vacina já era oferecida na rede particular desde 2024 e agora integra o Programa Nacional de Imunizações (PNI) e a Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais (RIE).
A principal evolução tecnológica do imunizante é a inclusão de dez novos sorotipos — totalizando 20. Entre eles, destacam-se o 19A e o 3, que são os mais circulantes no Brasil e estão fortemente associados à ocorrência de surtos na infância, casos de meningite e alta resistência a antibióticos. Com essa substituição, a proteção contra as variantes mais ligadas a quadros severos em crianças menores de cinco anos salta expressivamente de 3% para 77%.
Público-alvo e esquema vacinal
A expectativa do Ministério da Saúde é imunizar cerca de 2,4 milhões de bebês por ano. A distribuição das primeiras 514 mil doses já começou, e a previsão é de que mais de 4,5 milhões de doses sejam enviadas aos municípios até o fim de junho.
O imunizante será aplicado gratuitamente no SUS nos seguintes grupos prioritários:
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Crianças menores de 5 anos;
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Crianças a partir de 2 anos com condições clínicas especiais;
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Idosos a partir de 60 anos ou em situação de institucionalização;
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Povos indígenas a partir de 5 anos (sem histórico vacinal).
O esquema de aplicação será o seguinte:
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Bebês: 1ª dose aos 2 meses de idade; 2ª dose aos 4 meses de idade; e uma dose de reforço aos 12 meses.
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Idosos e adultos/crianças acima de 5 anos (com comorbidades): Dose única (exceto em situações de alta complexidade imunológica, como pacientes submetidos a transplante de células-tronco e terapia CAR-T).
Ampliação para pessoas com comorbidades
A atualização representa um marco de proteção para pessoas com doenças crônicas. Antes, a vacinação especial era focada quase exclusivamente em pacientes oncológicos, pessoas vivendo com HIV e transplantados. Agora, o acesso foi ampliado para contemplar indivíduos com:
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Asma grave;
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Doenças cardiovasculares e pulmonares;
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Doenças renais e hepáticas;
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Diabetes.
O diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha, celebrou a mudança: “A mudança para 20 é muito bem-vinda. Nós tínhamos várias comorbidades que não tinham direito à vacina, e agora elas vão ter. Isso vai possibilitar uma diminuição do impacto da doença”.
A doença pneumocócica é apontada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a maior causa de mortalidade infantil por doença prevenível. Para se ter uma ideia da gravidade, entre 2023 e 2025 o Brasil registrou 4,6 mil casos de meningite pneumocócica, resultando em 1,4 mil óbitos — uma taxa de letalidade superior a 30%.
Fonte: g1 Saúde
