Portal Castello
Política

Planos de governo de presidenciáveis não conseguem estabilizar dívida, aponta estudo

Análise avaliou 1.297 propostas de seis candidatos e aponta necessidade de esforço fiscal adicional de R$ 342 bilhões por ano para estabilizar a dívida pública.

Os candidatos à Presidência, da esquerda para a direita: Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, são os candidatos mais rejeitados segundo a pesquisa Futura desta quinta-feira (10) • undefined

O próximo presidente da República terá de enfrentar um desafio fiscal estimado em R$ 342 bilhões por ano para alcançar o nível de resultado necessário à estabilização da dívida pública. É o que aponta uma análise do Ranking dos Políticos que avaliou os planos de governo de seis candidatos à Presidência nas eleições de 2026.

O estudo analisou 1.297 propostas apresentadas por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante).

A análise utilizou como cenário-base o Relatório de Acompanhamento Fiscal nº 113, da Instituição Fiscal Independente (IFI), publicado em junho de 2026. Também foram consideradas as regras fiscais atualmente em vigor, incluindo o limite de crescimento real das despesas previsto no arcabouço fiscal e a regra de ouro.

Segundo a IFI, seria necessário um superávit primário equivalente a 2,1% do PIB para estabilizar a dívida bruta. A projeção para 2026, porém, é de resultado primário negativo de 0,4% do PIB. A diferença representa um esforço adicional de 2,5 pontos percentuais do PIB, calculado em cerca de R$ 342 bilhões anuais.

Apenas parte das propostas pôde ser testada

Das 1.297 propostas analisadas, 478 puderam ser submetidas ao teste de viabilidade fiscal. O levantamento levou em conta o custo das medidas, os efeitos econômicos e a compatibilidade com as restrições orçamentárias.

Do total avaliado, 217 propostas foram consideradas viáveis, 249 parcialmente viáveis e 12 inviáveis. Nove das medidas classificadas como inviáveis estão no plano do Partido Missão e três no plano do Partido Liberal.

O estudo ressalta que a concentração das propostas inviáveis nesses dois programas está relacionada ao fato de eles apresentarem valores explícitos para compromissos de maior volume, e não necessariamente a uma maior quantidade de medidas consideradas inadequadas.

Zema e Cury aparecem mais próximos da estabilização

Entre os seis planos, o estudo aponta que o de Romeu Zema é o único cuja faixa de resultados, nos cenários analisados, chega a cruzar o nível necessário para a estabilização da dívida em determinado momento.

Esse resultado, porém, dependeria de uma reforma previdenciária cujos efeitos fiscais mais significativos ocorreriam depois do fim do mandato. O plano também prevê a substituição do atual arcabouço fiscal sem apresentar uma nova âncora explícita.

Na simulação, o plano de Zema apresenta saldo central de -R$ 50 bilhões por ano e uma distância de R$ 392 bilhões anuais, equivalente a 2,9% do PIB, em relação ao nível de estabilização.

O plano de Augusto Cury aparece próximo desse resultado. O candidato é o único dos seis que apresenta uma meta fiscal própria, com previsão de déficit próximo de zero durante o mandato. Ainda assim, segundo o estudo, a meta não seria suficiente para interromper a trajetória de alta da dívida.

A análise aponta saldo deficitário de R$ 51 bilhões por ano e distância de R$ 393 bilhões anuais, também equivalente a 2,9% do PIB. O levantamento ressalta, porém, que 67% das propostas de Cury não puderam ser mensuradas por falta de informações orçamentárias.

Caiado apresenta plano mais detalhado na parte fiscal

O estudo considera o plano de Ronaldo Caiado como o mais estruturado metodologicamente na apresentação das consequências fiscais das propostas.

O principal ponto de atenção está na regra fiscal defendida pelo candidato. O mecanismo proposto prevê crescimento das despesas obrigatórias abaixo do PIB nominal e, segundo a análise, seria menos restritivo que o arcabouço atualmente vigente.

O resultado calculado apresenta déficit de R$ 69 bilhões por ano e uma distância de R$ 411 bilhões anuais, equivalente a 3% do PIB, em relação à estabilização.

O levantamento também aponta que, como Caiado não prevê aumento de tributos, o plano não detalha quais despesas seriam reduzidas para financiar as medidas apresentadas.

Planos de Lula e Flávio têm limitações de mensuração

No caso de Luiz Inácio Lula da Silva, o estudo aponta propostas que ampliam ou mantêm despesas públicas. No entanto, apenas 29% das medidas puderam ser classificadas com fontes externas, o menor nível de cobertura entre os seis planos analisados.

Por isso, o resultado calculado para o programa representa apenas o impacto fiscal das propostas que puderam ser mensuradas. O saldo estimado é de -R$ 111 bilhões por ano, com distância de R$ 452 bilhões anuais, equivalente a 3,3% do PIB, em relação à estabilização.

Já o plano de Flávio Bolsonaro apresenta saldo deficitário de R$ 154 bilhões por ano e distância de R$ 496 bilhões anuais, ou 3,6% do PIB, em relação ao nível necessário para estabilizar a dívida.

O candidato também propõe substituir o atual arcabouço fiscal sem indicar uma nova âncora ou meta considerada transparente pelo estudo. Além disso, 68% das propostas analisadas não apresentavam dados explicitados, enquanto algumas das medidas de maior impacto, como desonerações tributárias e metas relacionadas ao sistema prisional, tinham valores indicados.

Estudo não avalia mérito das propostas

O levantamento deixa claro que a análise não avaliou o mérito político das propostas, sua constitucionalidade ou a possibilidade de aprovação pelo Congresso Nacional.

O objetivo foi aplicar o mesmo cenário fiscal aos seis programas e verificar o comportamento das medidas que poderiam ser mensuradas diante das restrições orçamentárias existentes. Segundo o estudo, essa metodologia permite comparar os programas dentro de uma mesma base de referência.

A conclusão apontada pela análise é que nenhum dos seis planos alcança, nos cenários considerados, o resultado necessário para estabilizar a dívida pública.

Relacionados

Senado aprova fim da escala 6×1; veja o que muda para os trabalhadores

Araujo

Aldenor Lima ameaça acampar em frente ao Ibama para impedir retirada da capivara Filó

Araujo

VÍDEO: ‘Com bandido eu não quero fazer acordo’, diz Alessandra Campelo na Aleam sobre episódio de ameaça

Araujo

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Entendemos que você está de acordo com isso, mas você pode cancelar, se desejar. Aceitar Leia mais