Manaus (AM) – 27/02/2026 – A Justiça Eleitoral do Amazonas suspendeu o cronograma de exibição das inserções do Partido Progressistas (PP) no rádio e na televisão e determinou a entrega imediata dos arquivos de mídia que a legenda pretende veicular nas próximas semanas. A decisão atinge o partido que, no estado, tem como um de seus principais quadros o vice‑governador Tadeu de Souza.
Em despacho publicado nesta quinta‑feira (26), a juíza Anagali Marcon Bertazzo, do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE‑AM), concedeu prazo de cinco dias para que o diretório estadual do PP anexe ao sistema Processo Judicial Eletrônico (PJe) os conteúdos audiovisuais destinados às inserções partidárias, para análise prévia da Justiça Eleitoral.
A medida funciona como um filtro obrigatório para assegurar o cumprimento das normas da propaganda partidária gratuita. O Tribunal irá verificar se a legenda respeitou a exigência legal de destinar ao menos 30% do tempo à promoção da participação feminina na política, além de avaliar se o material não caracteriza propaganda eleitoral antecipada ou promoção pessoal de pré‑candidatos — práticas que podem resultar em multas e na perda do direito ao tempo de rádio e TV.
A decisão ocorre em um momento de alta tensão política para o Progressistas no Amazonas. Com a recente chegada do vice‑governador Tadeu de Souza à sigla, o partido passou a ocupar posição estratégica na aliança liderada pelo governador Wilson Lima, apontado como pretenso candidato ao Senado pela Federação União Progressistas, e se consolidou como um dos principais contrapontos ao grupo do prefeito David Almeida (Avante), pré‑candidato ao governo do estado.
A análise prévia das mídias pela Justiça Eleitoral busca impedir que o espaço público das inserções seja utilizado para antecipar o debate das eleições gerais de outubro, preservando o equilíbrio da disputa eleitoral.
Radar do Ministério Público
No ano passado, o Progressistas entrou no radar do Ministério Público Eleitoral após utilizar programas sociais do Governo do Amazonas, como o CNH Social, em peças de propaganda partidária com o objetivo de atrair novos filiados. À época, a legenda era presidida pelo vereador e ex‑diretor do Detran‑AM, Rodrigo Sá.
Caso o partido não cumpra o prazo de cinco dias estabelecido pelo TRE‑AM, as inserções poderão ser suspensas, o que deixaria a sigla fora do horário partidário no rádio e na televisão.
Fonte: Correio da Amazônia
