O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que não conhece a empresária Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal em apurações relacionadas a irregularidades nos descontos de aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A declaração foi dada durante a sabatina da TV Globo, na quinta-feira (27), após a jornalista Renata Vasconcellos questionar Lula sobre a empresária.
“Eu não conheço essa moça [Roberta Luchsinger], nunca vi essa moça na minha vida, nunca conversei com essa moça, ela nunca esteve próxima de mim”, afirmou o presidente.
A declaração, porém, contrasta com registros publicados nas redes sociais de Roberta. Ao menos três fotos divulgadas por ela em 2022 mostram encontros com Lula. As imagens, embora publicadas no mesmo ano, aparentam ter sido feitas em ocasiões diferentes.
Mensagens citam conversa com Lula
Além das fotografias, mensagens obtidas pela Polícia Federal e divulgadas pela revista Veja também mencionam uma suposta conversa entre Roberta e o presidente.
Segundo os diálogos, incluídos em um relatório da PF, a empresária teria relatado que Lula perguntou onde ela gostaria de ficar, em uma possível referência a um cargo no governo.
Roberta também descreveu nas mensagens uma relação próxima com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente.
Em uma das conversas, ela escreveu: “Fábio e eu somos uma coisa só. Se um fala, todos vão. A gente é mesmo irmão, sabe.”
Investigação envolve Lulinha
A investigação da Polícia Federal apura suspeitas relacionadas à atuação de Lulinha e à possibilidade de influência em decisões do governo.
O inquérito também investiga suspeitas de tráfico de influência em favor de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, em negócios relacionados ao Ministério da Saúde para a venda de cannabis medicinal.
Durante a sabatina, Lula afirmou que não pretende proteger o filho caso seja comprovado algum ilícito.
“Se o Fábio cometeu qualquer ilícito, ele terá que pagar como qualquer cidadão brasileiro”, declarou.
O presidente também afirmou que não haverá “um milímetro de movimento” da Presidência para proteger Lulinha.
Lula classificou as suspeitas contra o filho como ilações baseadas em telefonemas e defendeu que as investigações sigam até que sejam esclarecidas as responsabilidades.
“O caminho é um só, é o da investigação, ou da inocência ou da condenação”, afirmou.
As declarações ocorreram em meio ao avanço das investigações da Polícia Federal sobre pessoas próximas ao presidente e seu entorno familiar.
