Um vídeo divulgado neste domingo (20) mostra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a esposa dele, a advogada Viviane Barci de Moraes, desembarcando de um avião ligado ao empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
O registro foi feito em 22 de agosto de 2025, no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. A aeronave é um Embraer Legacy 650, de matrícula PP-NLR, que era vinculada a uma empresa da qual Vorcaro foi sócio.
A viagem ganhou relevância no contexto das investigações sobre a relação entre Vorcaro e o escritório de Viviane Barci porque o mesmo avião aparece em documentos analisados pela Polícia Federal (PF) durante a apuração do caso Banco Master.
Avião aparece em contrato de R$ 50 milhões
Segundo relatório da PF que teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, havia uma segunda contratação envolvendo o escritório de Viviane Barci e a Viking Participações, empresa ligada a Vorcaro.
O documento previa até R$ 50 milhões em honorários por serviços jurídicos. Entre as formas de pagamento discutidas estava a transferência de cotas de empresas vinculadas a duas aeronaves: um Legacy 650, justamente o modelo de avião usado no voo de Moraes e Viviane, e um helicóptero Airbus EC 155 B1.
Uma minuta previa que R$ 40 milhões seriam pagos por meio da transferência das cotas das empresas responsáveis pelas aeronaves. Os R$ 10 milhões restantes seriam destinados ao reembolso de despesas relacionadas ao uso dos veículos.
A PF encontrou as informações em mensagens trocadas entre Vorcaro e o advogado Leonardo Palhares, que trabalhava para o empresário.
Sócio diz que casal já usava aeronaves
Durante as negociações, um dos sócios de Vorcaro na empresa responsável pelas aeronaves, identificado como Marcos, afirmou ao banqueiro que Moraes e Viviane já utilizavam os aviões e helicópteros.
Em uma conversa de julho de 2025, Vorcaro perguntou se eles estavam usando as aeronaves. Marcos respondeu que os aviões e helicópteros já haviam sido utilizados e que os veículos continuariam à disposição.
Segundo o relatório da PF, as mensagens indicam que o uso das aeronaves já ocorria antes da conclusão das negociações sobre a transferência das cotas.
Os documentos públicos, porém, não esclarecem se a transferência das cotas das aeronaves chegou a ser efetivamente concluída. Registros da Junta Comercial de São Paulo não apresentam documentos que demonstrem essa transferência.
Outro voo também aparece na investigação
O Legacy 650 de matrícula PP-NLR também aparece em outro episódio citado pela PF.
Em 9 de julho de 2025, Alexandre de Moraes entrou no aeroporto executivo de Brasília às 22h34. Minutos depois, a mesma aeronave decolou com destino a São Roque, no interior de São Paulo.
Horas mais tarde, segundo o relatório, Marcos enviou a Vorcaro uma mensagem relacionada ao uso de um helicóptero e compartilhou um print de uma conversa que teria mantido com Viviane.
Na mensagem, Marcos perguntou à advogada se ela e os demais usuários estavam satisfeitos com a utilização das aeronaves e com o atendimento da equipe.
Viviane respondeu que estavam gostando do serviço e elogiou o atendimento recebido.
Escritório confirma uso de táxi aéreo
Após a divulgação do vídeo, o escritório Barci de Moraes confirmou que contrata serviços de táxi aéreo de diferentes empresas, entre elas a Prime Aviation, ligada a Vorcaro.
A banca, porém, afirmou que Daniel Vorcaro nunca esteve presente nos voos realizados por integrantes do escritório e negou que exista vínculo pessoal entre a contratação dos serviços e os proprietários das aeronaves.
O escritório também declarou que, em algumas viagens, Viviane foi acompanhada pelo marido, Alexandre de Moraes.
Segundo a nota, a escolha das aeronaves cabe às empresas de aviação contratadas e não ao escritório. A banca afirmou ainda que não possui contrato de prestação de serviços advocatícios com a Prime Aviation e que não realizou aquisição de cotas da empresa.
O que diz a investigação
O contrato de até R$ 50 milhões com a Viking é tratado pela PF como uma segunda contratação envolvendo o escritório de Viviane Barci e uma empresa ligada a Vorcaro, além do acordo de aproximadamente R$ 131 milhões firmado anteriormente com o Banco Master.
Os documentos e mensagens fazem parte do material analisado pela Polícia Federal na investigação sobre o Banco Master. A existência das negociações e o uso das aeronaves estão documentados, mas as circunstâncias e a efetiva conclusão de cada operação financeira são objeto da apuração.
