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Dólar em alta e juros elevados: entenda como a combinação pode pesar no seu bolso

Imagem: Getty Images

A alta do dólar e a manutenção dos juros em patamar elevado voltaram a chamar a atenção do mercado financeiro e podem trazer reflexos para o orçamento dos brasileiros. A combinação influencia desde o preço de produtos importados até as condições para conseguir empréstimos e financiamentos, além de afetar quem pretende viajar para o exterior ou fazer compras em sites internacionais.

Na quinta-feira (5), o dólar comercial encerrou o pregão cotado a R$ 5,4886, com valorização de 0,68%. Foi o maior valor de fechamento registrado desde 30 de dezembro de 2025. Já a taxa básica de juros da economia, a Selic, permaneceu em 13,75% ao ano após decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, anunciada na quarta-feira (4).

Embora tenham origens diferentes, os dois indicadores influenciam a economia e podem chegar ao dia a dia da população por diferentes caminhos.

Por que o dólar subiu?

A valorização da moeda norte-americana está relacionada a fatores externos e internos. No cenário internacional, a maior cautela dos investidores diante das incertezas econômicas nos Estados Unidos e da instabilidade nos mercados financeiros contribuiu para aumentar a procura por moedas consideradas mais seguras.

No Brasil, as expectativas em relação à situação fiscal também entram na avaliação dos investidores. Quando cresce a percepção de risco sobre a economia de um país, pode haver maior pressão sobre sua moeda.

Na prática, quando o dólar fica mais caro em relação ao real, produtos e serviços que dependem de insumos importados podem sofrer pressão de custos. Isso inclui eletrônicos, equipamentos, componentes industriais e até produtos que utilizam matérias-primas cotadas no mercado internacional.

O repasse, porém, não acontece necessariamente de forma imediata. Estoques, contratos, custos de produção e estratégias das empresas também influenciam o preço final pago pelo consumidor.

O que significa a Selic em 13,75%?

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e funciona como referência para outras taxas praticadas no mercado. Ela é utilizada pelo Banco Central como um dos principais instrumentos para controlar a inflação.

Quando os juros permanecem elevados, empréstimos, financiamentos e outras modalidades de crédito tendem a ficar mais caros. Isso acontece porque as instituições financeiras consideram a taxa básica, além de fatores como risco de inadimplência, custos operacionais e margem de lucro, ao definir os juros cobrados dos clientes.

Por outro lado, o cenário pode favorecer aplicações de renda fixa atreladas à taxa básica de juros ou ao CDI, embora o rendimento dependa das condições de cada investimento, dos impostos, das taxas e do prazo de aplicação.

Como a alta do dólar e os juros afetam o consumidor?

Os efeitos variam conforme a situação financeira de cada pessoa. Quem pretende contratar um financiamento ou empréstimo pode encontrar condições menos favoráveis, enquanto consumidores que dependem de produtos importados podem sentir os efeitos da valorização do dólar.

Veja alguns exemplos:

Financiamento de imóveis: quem pretende contratar um novo financiamento pode encontrar taxas mais elevadas, dependendo da instituição financeira e da modalidade escolhida. Em contratos já existentes, o impacto depende das condições estabelecidas, dos indexadores e das regras de reajuste.

Compra de veículos: os juros podem encarecer o crédito para quem pretende financiar um carro. Além disso, a variação cambial pode influenciar os custos de componentes e veículos que dependem de importações.

Cartão de crédito: a Selic influencia o ambiente de crédito, mas as taxas do rotativo e do parcelamento dependem das condições oferecidas pelas instituições. Para evitar o crescimento da dívida, é importante observar o custo efetivo total e evitar pagar apenas o mínimo da fatura.

Celulares e eletrônicos: produtos importados ou fabricados com componentes estrangeiros podem sofrer pressão de preços quando o dólar sobe. O efeito depende dos estoques e dos custos de cada empresa.

Empréstimos pessoais: quem precisa contratar crédito deve comparar as condições oferecidas por diferentes instituições e observar o Custo Efetivo Total (CET), que reúne juros, tarifas, seguros e outros encargos.

Investimentos: aplicações de renda fixa pós-fixadas podem oferecer rendimentos mais atrativos em períodos de juros elevados. Ainda assim, é necessário avaliar liquidez, prazo, tributação e riscos.

Viagens e compras internacionais também podem ficar mais caras

Quem pretende viajar para fora do Brasil também precisa acompanhar a cotação da moeda. Com o dólar comercial a R$ 5,4886 no fechamento de quinta-feira (5), uma compra de US$ 100 equivaleria a aproximadamente R$ 548,86, sem considerar impostos, tarifas, margem de conversão e outras despesas.

O valor efetivamente pago pode ser maior, especialmente em operações com cartão internacional ou câmbio turismo.

Para quem pretende fazer compras em sites estrangeiros, a recomendação é calcular o custo total da operação, incluindo frete, tributos e eventuais encargos. Comparar o preço final em reais com o valor praticado no mercado nacional também ajuda a evitar gastos inesperados.

O que fazer diante desse cenário?

A combinação de dólar valorizado e juros elevados exige atenção ao planejamento financeiro. Antes de assumir uma nova dívida, vale comparar propostas, verificar o custo total do financiamento e avaliar se as parcelas cabem no orçamento.

Para compras internacionais, acompanhar a cotação e considerar os custos adicionais pode evitar surpresas. Já quem possui investimentos deve observar as características de cada aplicação, sem tomar decisões apenas com base na movimentação de um indicador.

A alta do dólar e a manutenção da Selic não significam que todas as compras precisam ser adiadas. O impacto depende do tipo de produto, da modalidade de crédito e da situação financeira de cada consumidor.

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